quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Semana de 8 a 15 de dezembro de 2017

Homenagem ao boi desconhecido

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil).

                          I
Nem sei se faz algum sentido
Mas se presta homenagem ao soldado desconhecido
Nas guerras, soldado não vai para brincar
Não tem outra solução: ele vai para matar
                         II
E sem deixar para depois
Comparemos soldado e boi
Colocando na ordem devida
Soldado mata; boi mantém a vida
                       III
Hoje em dia
Tem muito avanço da tecnologia
Mas na alimentação
Avançamos não, meu irmão
                         IV
Ainda insistimos em comer carne
Mudança que se um dia ocorrer, vai ser tarde
Pobre gado bovino
Morrer como alimento é seu destino
                       V
Certa vez, fiscalizando um matadouro
Um boi como tendo mal agouro
Olhou para mim pressentindo a falta de sorte
Como se tivesse certeza de sua iminente morte
                        VI
Tamanha pena, tamanho estresse
À sua espera o impiedoso magarefe
Frio assassino do gado bovino
Age roboticamente: não fica nem um pouco mufino
                       VII
Há os que matam; os que comem consentem
Isso há milênios – não foi diferente
Humano foi projetado para consumir alimento vegetal
A começar pela arquitetura bucal
                       VIII
Carnívoros são animais de intestino curto
Humanos têm intestino longo – eu quase surto
Com tanta matança para servir de alimentação
É muito crime sem julgamento – é só absolvição
                       IX
Se hoje até corruptos recebem homenagem
Homenagear o boi é coisa séria – não é bobagem
E assim posto, acabando essa bandalha
Homenageemos o boi desconhecido. Ele também merece uma medalha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário