Semana de 2 a
9 de outubro de 2015
Água em Marte – Esperança de quê?
Paulo
Ferreira
“Por que o Planeta Terra parece mais o
trabalho de um estagiário relaxado que o produto de uma consciência superior,
toda poderosa e sábia?” – George Carlin.
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“Á
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gua
é vida”, “Não existe vida sem água”. Estas e outras frases lapidares transitam
do popular à ciência e vice-versa.
Segundo a reportagem do dia 28/09/2015,
a missão da NASA está centrada na água. A notícia dada em caráter alvissareiro
carece de uma análise prudente e sólidos argumentos científicos.
Na Terra, a água é molecularmente
estruturada com dois átomos de Hidrogênio e um de Oxigênio (H2O) - é
o alimento líquido responsável por toda cadeia da vida das espécies. Caso tenha
um único átomo alterado, suas propriedades físicas e organolépticas se
modificam. Por exemplo, o composto H202 é também água, mas água oxigenada
(Peróxido de Hidrogênio). Bastou aumentar somente um átomo de oxigênio para
mudar sua propriedade que deixa de ser potável. A água encontrada em Marte é
salgada – não é potável. Seria essa água parecida com a nossa, com as mesmas
concentrações de sais e traços de outros elementos químicos nas mesmas
concentrações e proporções? Deve ser também levado em consideração o pH (medida
de acidez e alcalinidade). Seria possível dessalinizá-la? A preocupação da NASA
com a água é boa para quem? Interessa-nos? Vamos fazer importação
interplanetária? E ao mesmo tempo se procura vida em Marte. Mas o conceito
de vida que temos também seria o mesmo por lá?
Vida é tudo que se mexe e respira? Ou é “a batida do coração” (1) ? Biologicamente
encontramos vidas nos cinco reinos da natureza: animal, vegetal, fungo, moneras
e protistas.
O gênio da Física Teórica e Doutor em Cosmologia Stephen
Hawking em entrevista ao jornal espanhol El País falou que “a
raça humana terá que sair da Terra para sobreviver”. E nós, aonde vamos? Na lua
– nosso ponto espacial mais próximo é um lugar inóspito para a espécie humana:
atmosfera e força gravitacional diferentes das nossas. Somente esses fatores
limitam todas e quaisquer divagações como habitar nosso satélite. E Marte, cuja
viagem dura cerca de seis meses? E se a nave entrar em pane durante o trajeto
onde será consertada? Que tipo de combustível será usado para uma viagem de um
ano (seis meses de ida e mais seis de volta)? Esse tipo de projeto é pelo menos
duvidoso considerando que nenhum sistema mecânico complexo se mantém em
equilíbrio dinâmico de forma constante. Se até o momento não alcançamos tal
autonomia de vôo (2) para
aviões, como então para uma nave espacial?
Temos mesmos de sermos exploradores
espaciais? Não seria mais prático mudarmos a estrutura político-econômica do
mundo e também a nós mesmos, do que nos aventurar como andróides suicidas pelo
“deserto” do espaço sideral em busca de uma proposição cientificamente
insustentável? Fomos biologicamente projetados para o planeta Terra. Se Deus é
perfeito, criou o mais perfeito dos mundos. E seguramente não existem outros
dos quais possamos ser inquilinos. Quem
está certo? A criatura ou o Criador?
Fiquemos aqui mesmos – fujamos dos
cantos de sereia espacial.
(1)
O que é o que
é – música de Gonzaguinha;
(2) Tempo que o
avião sobrevoa sem precisar reabastecer.
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