
Pai do cantor Cristiano Araujo: “Será
que Deus existe”?
“Deus não é a fonte dos males... Eles
existem devido ao pecado voluntário da alma. À qual Deus deu livre escolha.” – Contra fortunatum manichaeum, Acta seu disputatio
Cap. 20.
|
F
|
ragilizado
pela morte prematura do filho, João Reis de Araujo, pai do cantor, perguntou: “Será
que Deus existe”?
Se até Santo Agostinho também teve
esses momentos de conflitos existenciais, abandonando a fé cristã inicial por
não compreender como um ser imaterial criador do universo material não pudesse lidar
com sua capacidade de operar os
problemas gerados pelo mal e, suas conseqüências. O sofrimento.é um
grande delator da fraqueza humana. Somente Jó, em condição de extrema expiação,
resistiu a dor sem negar a Deus, mesmo sendo submetido a sete provas profundamente
malévolas. No mais, somos seres frágeis e, ainda mais na condição hedonista
cultuada pela sociedade, nos tirou parte de nossa resistência à dor.
Geralmente em acidentes desse tipo,
vários fatores combinados podem ter originado a tragédia. Some-se a isso,
parodiando Chico Buarque, é como se “não [existisse] pecado do lado de baixo do
Equador” – tudo é permitido. Cumprir
leis e normas é pouco frequente. Basta observar como muitas pessoas se comportam
ao semáforo: luz verde – passagem livre para os carros. Mas se tiver uma brechinha, pedestres agem como se verde
para os carros fosse o vermelho que permite a passagem daqueles. Não se trata
de daltonismo típico – aqui o daltonismo é social. E dessa e outras ações
sistematicamente repetidas de forma banalizadas no dia-a-dia, vamos construindo
nossa sociedade corrompendo os bons costumes.
Alguns agravantes saltam aos olhos. Feitas
as perícias preliminares, o fabricante do Range Rover afirmou que seu produto não
tinha as rodas originais. As do acidente
traziam trincas reparadas com soldas – equipamentos comprometidos. Naquela
madrugada de 24 de junho de 2015, o carro parara num posto de combustível.
Seguindo viagem madrugada adentro, depois de percorridos 57km ocorreu o
capotamento quando estourou um dos pneus do carro. Esse percurso foi vencido no tempo de 21
minutos no trecho entre Morrinhos e Pontalina na BR-153, em Goiás. Fazendo
cálculos da Física, calcula-se uma velocidade media de 162km/h. Pelo Código
Brasileiro de Trânsito, a maior velocidade é de 110km/h. As vítimas fatais, no
banco traseiro, não usavam cinto de segurança. Ele com 29 anos; ela, com 19 –
em plena capacidade produtiva. Vidas ceifadas; castelos de sonhos desmoronados.
Alta velocidade é coisa para Fórmula
1. Com um detalhe: o circuito é totalmente desimpedido. Os pilotos foram treinados em categorias
menores e estão preparados para o ofício. Todos os carros correm no mesmo
sentido. À menor infração, o diretor da prova pode de acordo com o regulamento
punir o piloto infrator – é inadmissível
por em risco a própria vida e a dos demais companheiros.
É de se esperar que o motorista do
cantor, Ronaldo Miranda, 40, cônscio de sua responsabilidade e dotado de
peculiar profissionalismo seguisse normas básicas de trânsito – não excedendo o
limite de velocidade. E ainda mais, quando se dirige à noite quando os cuidados
redobram. Aí voltamos às pequenas infrações que cometemos cotidianamente. E
Vamos nos acostumando a elas com um certo relaxamento para sua aceitação: “Eu
posso andar além da velocidade permitida, não tem guarda, ninguém está vendo
mesmo...” . É essa a velha mania de querer levar vantagem em tudo – Lei de
Gérson. Resultado: tragédia com morte. O custo porém é dividido com toda
sociedade. Isto porque uma sociedade em que todos querem levar vantagem em
tudo; todos saem perdendo.
Furar filas, apresentar declaração
falsa para o imposto de renda, não usar luzes de pisca-pisca ao fazer as curvas,
fazer ultrapassagem proibida, pode ser o começo de tudo isso. Só não sabemos
como tudo irá terminar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário