sexta-feira, 24 de julho de 2015

         
 Tocqueville - Foto Internet

                                                   

Gal. Olympio Mourão - Foto Internet
Brasil – salvem-se quem puder e as lições de Olympio Mourão e Tocqueville na  Ditadura da Mediocridade

Paulo Ferreira

“Só a ignorância aceita e a indiferença tolera o reinado da mediocridade” – José de Alencar.                

N
o século XIX, o homem mais famoso do mundo era Napoleão Bonaparte (1769-1821). O segundo, Alexander Von Humboldt geógrafo e Naturalista. Aquele se impôs pela força; este, pelo conhecimento. Esse maniqueísmo tinha de um lado a força da espada; do outro, a força do conhecimento - duas formas do poder.
          Hoje, muita coisa mudou. Como vaticinara Andy Warhol: “no futuro todos terão 15 minutos de fama.” Facilidade para tal é o que não falta. As mídias, principalmente a televisiva escancara as “portas da felicidade”. Vale tudo. Tem que ser necessariamente um assunto ou proeza que chame a atenção – boa qualidade nem sempre conta. O importante é aparecer e, a televisão esfomeada por audiência, abriga a tudo e a todos – para o mal e para o bem.
          É natural que queiramos ter certo destaque no convívio social – faz parte da condição humana – objeto de estudo da Psicologia Social. Mas esse destaque precisa ter um papel positivo na construção da sociedade. Sem esse propósito, fica no campo da alienação. É o que vemos grassar todos os dias. Fatos quase sempre corriqueiros, com valor duvidoso executados por ineptos são mostrados pelas luzes dos holofotes da fama.
          O cerebral jornalista prof. Carlos Gruber, preocupado com essas questões, em aulas já comentou filosoficamente no caráter noticialidade dos fatos, no que vai ser divulgado, tipo: “Essa notícia é boa para quem”? “Melhora as condições das pessoas?” “Constrói um mundo melhor”?
          O bom discípulo aprende com os mestres. Procurarmos seguir seu exemplo. E pensando nisso tudo, no dia 8 de julho de 2015, anotamos várias “notícias” veiculadas na impressa escrita:
          a) “Um ano de 7 a 1 na copa: Parreira temeu que Brasil levasse de 10 a 0 da Alemanha”;
          b) “Saltadora brasileira se choca com comentários em foto de maiô”;
          c) “Ex-médico corintiano revela peso de Ronaldo em 2009.”

No dia seguinte, mais “pérolas”:

          d) “Tanquinho de Cristiano Ronaldo leva japonesas à loucura”;
          e) “Só de biquíni, Xuxa faz movimento de Ioga e ganha elogios: “corpo de garota de 18”;
          f) “Thammy Miranda faz selfie sem camisa e ganha elogio: “maravilhoso”.    
          Inferimos que esse “jornalismo de brincadeira se antepõe ao jornalismo sério do prof. Gruber. Por incrível que pareça, tem público para isso. Onde nós chegamos?! Basta ver a programação da televisão: novelas, programas de auditórios diversos, futebol – um amálgama nocivo. Educação deveria ser tratada como Segurança Nacional porque o maior patrimônio de um país é seu povo. O País está sendo diariamente implodido e estamos atávicos, vivendo e aplaudindo o coroamento da mediocridade.
          O liberalismo político surgiu na França com pensadores como John Locke, Jean Jacques Rosseau, Montesquieu e Adam Smith. Seria a tendência natural do homem em alcançar seus direitos naturais regidos pela política.  Aléxis de Tocqueville (1806-1873) assegurava que dessa forma a democracia seria um fato inevitável. Com o passar do tempo, toda a humanidade levaria a uma busca de igualdade de direitos cada vez maior. Por outro lado, esse desejo poderia levar a sociedade e o Estado a esmagarem o indivíduo. Tocqueville previa, então que nesse cenário as pessoas se afastariam da política para se interessar apenas por seus assuntos pessoais.  Como solução sustentou que a liberdade deve ser estimulada sempre. A ausência de desejar e lutar pela liberdade surtiria uma espécie de anabiose social, forçando todo o mundo a ter a mesma opinião – a Ditadura da Mediocridade.
          No Brasil nem opinião temos. Mas uma voz altiva nos deu exemplo de alerta tocquevilliano: “Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso.” General Olympio Mourão Filho (1900-1972)– Memórias: a verdade de um revolucionário. Qualquer semelhança deste desabafo com algum político é coincidência  mesmo. Mourão Filho escreveu esta sentença lapidar nos idos dos anos  1970.
          Indivíduos e mais indivíduos formam a sociedade. Devemos a partir de cada um de nós procurar construir e até reconstruir um mundo melhor, com as nossas ações e tendo acesso e, repassando o que nos edifica.

          O presente já foi construído no passado - não podemos mudá-lo. O futuro, este sim, podemos construí-lo bem, mas se fizermos tudo bom hoje. Então que comecemos agora. Nossos filhos e as futuras gerações nos agradecerão!