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| Tocqueville - Foto Internet |
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| Gal. Olympio Mourão - Foto Internet |
Brasil – salvem-se quem puder e as
lições de Olympio Mourão e Tocqueville na
Ditadura da Mediocridade
Paulo
Ferreira
“Só a ignorância aceita e a indiferença
tolera o reinado da mediocridade” –
José de Alencar.
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N
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o
século XIX, o homem mais famoso do mundo era Napoleão Bonaparte (1769-1821). O
segundo, Alexander Von Humboldt geógrafo e Naturalista. Aquele se impôs pela
força; este, pelo conhecimento. Esse maniqueísmo tinha de um lado a força da
espada; do outro, a força do conhecimento - duas formas do poder.
Hoje, muita coisa mudou. Como
vaticinara Andy Warhol: “no futuro todos terão 15 minutos de fama.” Facilidade
para tal é o que não falta. As mídias, principalmente a televisiva escancara as
“portas da felicidade”. Vale tudo. Tem que ser necessariamente um assunto ou
proeza que chame a atenção – boa qualidade nem sempre conta. O importante é
aparecer e, a televisão esfomeada por audiência, abriga a tudo e a todos – para
o mal e para o bem.
É natural que queiramos ter certo
destaque no convívio social – faz parte da condição humana – objeto de estudo
da Psicologia Social. Mas esse destaque precisa ter um papel positivo na construção
da sociedade. Sem esse propósito, fica no campo da alienação. É o que vemos
grassar todos os dias. Fatos quase sempre corriqueiros, com valor duvidoso
executados por ineptos são mostrados pelas luzes dos holofotes da fama.
O cerebral jornalista prof. Carlos
Gruber, preocupado com essas questões, em aulas já comentou filosoficamente no
caráter noticialidade dos fatos, no que vai ser divulgado, tipo: “Essa notícia
é boa para quem”? “Melhora as condições das pessoas?” “Constrói um mundo
melhor”?
O bom discípulo aprende com os
mestres. Procurarmos seguir seu exemplo. E pensando nisso tudo, no dia 8 de
julho de 2015, anotamos várias “notícias” veiculadas na impressa escrita:
a) “Um ano de 7 a 1 na copa: Parreira temeu
que Brasil levasse de 10 a
0 da Alemanha”;
b) “Saltadora brasileira se choca com
comentários em foto de maiô”;
c) “Ex-médico corintiano revela peso
de Ronaldo em 2009.”
No
dia seguinte, mais “pérolas”:
d) “Tanquinho de Cristiano Ronaldo
leva japonesas à loucura”;
e) “Só de biquíni, Xuxa faz movimento
de Ioga e ganha elogios: “corpo de garota de 18” ;
f) “Thammy Miranda faz selfie sem camisa e ganha elogio:
“maravilhoso”.
Inferimos que esse “jornalismo de
brincadeira se antepõe ao jornalismo sério do prof. Gruber. Por incrível que
pareça, tem público para isso. Onde nós chegamos?! Basta ver a programação da
televisão: novelas, programas de auditórios diversos, futebol – um amálgama
nocivo. Educação deveria ser tratada como Segurança Nacional porque o maior
patrimônio de um país é seu povo. O País está sendo diariamente implodido e estamos
atávicos, vivendo e aplaudindo o coroamento da mediocridade.
O liberalismo político surgiu na
França com pensadores como John Locke, Jean Jacques Rosseau, Montesquieu e Adam
Smith. Seria a tendência natural do homem em alcançar seus direitos naturais
regidos pela política. Aléxis de
Tocqueville (1806-1873) assegurava que dessa forma a democracia seria um fato
inevitável. Com o passar do tempo, toda a humanidade levaria a uma busca de
igualdade de direitos cada vez maior. Por outro lado, esse desejo poderia levar
a sociedade e o Estado a esmagarem o indivíduo. Tocqueville previa, então que
nesse cenário as pessoas se afastariam da política para se interessar apenas
por seus assuntos pessoais. Como solução
sustentou que a liberdade deve ser estimulada sempre. A ausência de desejar e
lutar pela liberdade surtiria uma espécie de anabiose social, forçando todo o
mundo a ter a mesma opinião – a Ditadura da Mediocridade.
No Brasil nem opinião temos. Mas uma
voz altiva nos deu exemplo de alerta tocquevilliano: “Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto e
vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo
o elogio como arma, convencendo-o que é um gênio político e um grande homem, e
de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em
um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um
homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites,
embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso.” General
Olympio Mourão Filho (1900-1972)– Memórias: a verdade de um revolucionário.
Qualquer semelhança deste desabafo com algum político é coincidência mesmo. Mourão Filho escreveu esta sentença
lapidar nos idos dos anos 1970.
Indivíduos e mais indivíduos formam a
sociedade. Devemos a partir de cada um de nós procurar construir e até
reconstruir um mundo melhor, com as nossas ações e tendo acesso e, repassando o
que nos edifica.
O presente já foi construído no
passado - não podemos mudá-lo. O futuro, este sim, podemos construí-lo bem, mas
se fizermos tudo bom hoje. Então que comecemos agora. Nossos filhos e as
futuras gerações nos agradecerão!

