sexta-feira, 17 de julho de 2015

                                       


          17 de julho  - Dia de proteção às florestas

Paulo Ferreira          

“Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para fogueira.” – Leon Tolstoi.


A
s florestas servem para abrigar homens e bichos. Bastam somente esses dois atributos para justificar na insistência de sua preservação. Na Floresta Amazônica, vale frisar que homens supracitado refere-se aos habitantes nativos como o caboclo ribeirinho e índios – estes, dentro da  total visão de humanos iguais a nós caras-pálidas. Outras propriedades, porém, vão além desses itens. Em termos de biodiversidade, os números são estratosféricos: as florestas no processo de evapotranspiração e outros sistemas fisiológicos, e ciclos biogeoquímicos, funcionam como um termostato natural -  um regulador biológico em todo clima do Planeta.  Considere-se também que 30% da superfície do mundo são cobertos por florestas. O processo bioquímico da fotossíntese funciona como uma “fábrica” que usa gás carbono como matéria prima gerando Oxigênio para toda a espécie animal. 40% de todo carbono armazenado nos ecossistemas terrestres se encontram nas florestas. Para entender um pouco, metade de uma árvore é constituída de carbono. Isto já minimiza o potencial poluidor causado pelo efeito estufa.
          Para o índio que teve a floresta como berço, desenvolvimento de toda sua vida e futuro túmulo, esta representa seu mundo. A floresta é seu supermercado, teatro, trabalho, escola, farmácia – seu mundo. Embora a população dos autóctones tenha se reduzido com o passar dos tempos, algumas etnias ainda resistem heroicamente às investidas do capital e a frieza do distanciamento social.     As florestas dentro de uma visão ecológica podem ser fornecedoras de madeira para inúmeros fins: combustíveis, matérias-primas (resinas, celulose, cortiça, frutas, bagas). Uma em cada 10 espécies conhecidas no mundo vive na Amazônia. Cerca de 2,5 milhões de espécies de insetos, dezenas de milhares de espécies de plantas, 2 mil espécies de aves e mamíferos. Estima-se que 1km2 de floresta retenha 90.790 toneladas métricas de plantas, vivas.
          Mesmo com essas qualidades mantenedoras da vida e equilíbrio geral, tem gente do mal que faz queimadas, constroem hidrelétricas, ameaçam a vida dos índios e das populações que dependem da floresta, poluem os rios, exploram desmatando, com atividades de criação de gado vacum e outras práticas ameaçadoras à saúde da floresta e do planeta.
          Destruir a Amazônia é fácil. Até estamos acompanhando de braços cruzados e atônitos esse processo dilapidador. Para esperar seu ressurgimento, pode até ocorrer num lapso de cem anos. Mesmo tendo como parâmetro científico uma floresta exuberante no verdor de seu dossel, se trata de uma questão visual. O solo é certo, relativamente pobre.  A recuperação da floresta nesse caso – uma dúvida.






sexta-feira, 10 de julho de 2015

                           

Pai do cantor Cristiano Araujo: “Será que Deus existe”?

“Deus não é a fonte dos males... Eles existem devido ao pecado voluntário da alma. À qual Deus deu livre escolha.” – Contra fortunatum manichaeum, Acta seu disputatio Cap. 20.


F
ragilizado pela morte prematura do filho, João Reis de Araujo, pai do cantor, perguntou: “Será que Deus existe”? 
          Se até Santo Agostinho também teve esses momentos de conflitos existenciais, abandonando a fé cristã inicial por não compreender como um ser imaterial criador do universo material não pudesse lidar com sua capacidade de operar os  problemas gerados pelo mal e, suas conseqüências. O sofrimento.é um grande delator da fraqueza humana. Somente Jó, em condição de extrema expiação, resistiu a dor sem negar a Deus, mesmo sendo submetido a sete provas profundamente malévolas. No mais, somos seres frágeis e, ainda mais na condição hedonista cultuada pela sociedade, nos tirou parte de nossa resistência à dor.
          Geralmente em acidentes desse tipo, vários fatores combinados podem ter originado a tragédia. Some-se a isso, parodiando Chico Buarque, é como se “não [existisse] pecado do lado de baixo do Equador” –  tudo é permitido. Cumprir leis e normas é pouco frequente. Basta observar como muitas pessoas se comportam ao semáforo: luz verde – passagem livre para os carros. Mas se tiver  uma brechinha, pedestres agem como se verde para os carros fosse o vermelho que permite a passagem daqueles. Não se trata de daltonismo típico – aqui o daltonismo é social. E dessa e outras ações sistematicamente repetidas de forma banalizadas no dia-a-dia, vamos construindo nossa sociedade corrompendo os bons costumes.
          Alguns agravantes saltam aos olhos. Feitas as perícias preliminares, o fabricante do Range Rover afirmou que seu produto não tinha as rodas  originais. As do acidente traziam trincas reparadas com soldas – equipamentos comprometidos. Naquela madrugada de 24 de junho de 2015, o carro parara num posto de combustível. Seguindo viagem madrugada adentro, depois de percorridos 57km ocorreu o capotamento quando estourou um dos pneus do carro.  Esse percurso foi vencido no tempo de 21 minutos no trecho entre Morrinhos e Pontalina na BR-153, em Goiás. Fazendo cálculos da Física, calcula-se uma velocidade media de 162km/h. Pelo Código Brasileiro de Trânsito, a maior velocidade é de 110km/h. As vítimas fatais, no banco traseiro, não usavam cinto de segurança. Ele com 29 anos; ela, com 19 – em plena capacidade produtiva. Vidas ceifadas; castelos de sonhos desmoronados.
          Alta velocidade é coisa para Fórmula 1. Com um detalhe: o circuito é totalmente desimpedido.  Os pilotos foram treinados em categorias menores e estão preparados para o ofício. Todos os carros correm no mesmo sentido. À menor infração, o diretor da prova pode de acordo com o regulamento punir o piloto infrator – é inadmissível  por em risco a própria vida e a dos demais companheiros.
          É de se esperar que o motorista do cantor, Ronaldo Miranda, 40, cônscio de sua responsabilidade e dotado de peculiar profissionalismo seguisse normas básicas de trânsito – não excedendo o limite de velocidade. E ainda mais, quando se dirige à noite quando os cuidados redobram. Aí voltamos às pequenas infrações que cometemos cotidianamente. E Vamos nos acostumando a elas com um certo relaxamento para sua aceitação: “Eu posso andar além da velocidade permitida, não tem guarda, ninguém está vendo mesmo...” . É essa a velha mania de querer levar vantagem em tudo – Lei de Gérson. Resultado: tragédia com morte. O custo porém é dividido com toda sociedade. Isto porque uma sociedade em que todos querem levar vantagem em tudo; todos saem perdendo.
          Furar filas, apresentar declaração falsa para o imposto de renda, não usar luzes de pisca-pisca ao fazer as curvas, fazer ultrapassagem proibida, pode ser o começo de tudo isso. Só não sabemos como tudo irá terminar.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

                                              

2)    Malditas vírgulas, benditas vírgulas

Paulo Ferreira

“O sentido de minhas vírgulas não é o de dividir as suas palavras, mas o de pausá-las... para que eu possa sentir e degustar com a justa suavidade o que busca me dizer.” -
Júlio Ramos da Cruz Neto


N
o artigo da semana passada – “Pingos de Filosofia na sua bodas de papel” cometeu um deslize gramatical. Fosse no trânsito, seria uma infração com perda de pontos na carteira. Tecendo um breve comentário a respeito do médico Dr. Jonathan Piaclekos, escrevemos: “Não medindo esforços, o médico de passagem naquele momento, fez todo o procedimento para reanimar a vítima desfalecida no chão.” O correto é: “Não medindo esforços, o médico, de passagem naquele momento, fez todo o procedimento para reanimar a vítima desfalecida no chão:” Publicado, relemos o artigo, quando reparamos no erro cometido. Nosso elogio ficou só na intenção - transformou-se num xingamento. Onde já se viu, médico de passagem?! Passagem denota temporalidade, transitalidade. E no texto, reconheçamos, a falta da vírgula ficou mal. Lidar com a Língua Portuguesa não é fácil. Quer ver, a falta de vírgulas até já condenou generais: Na antiga Grécia, havia os oráculos onde as pitonisas previam o futuro. Conta a lenda que um grande general grego foi até lá e consultou a profetisa, para ver se iria ter sucesso ou não na guerra que ora começava. Ela consultou o oráculo e deu a seguinte resposta: “Irás voltarás não morrerás.” O resultado foi contraproducente – o militar morreu. E a profecia, como ficou? Faltou vírgula. Correto seria se fosse escrito assim: “Irás. Voltarás? Não, morrerás.”
          Mas quem essa vírgula pensa que é? Ela não tem o poder de finalizar uma frase ou oração como o ponto. Uma frase sem um ponto final fica com o sentido inalterado. O mesmo não podemos dizer dessa tal vírgula. Dando um zum no ponto, geometricamente falando, este tem uma forma definida – é um círculo. Podemos até calcular diretamente sua área. A vírgula é um polígono irregular – um círculo com um rabisco pendurado, ou seja, não tem nem definição – é como se fosse feita às pressas – um rascunho, uma coisa inacabada. Ela não tem forma definida nem a elegância de outros sinais gráficos. Mas que atrapalha, sim. E muito.
“Observação Sobre a vírgula* :
Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula também muda tudo.

Um exemplo adicional:
Se o homem soubesse o valor que TEM a MULHER andaria de quatro à sua procura.
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Estamos assumindo mea culpa. Dr. Jonathan por sua vez, até poderia mover um processo contra Pingos de Filosofia por injúria, danos morais ou uma outra sanção qualquer nos códigos do Direito Romano. No mínimo, o direito de resposta. Mas conhecendo sua conduta ilibada e sendo meu amigo, sei que ele irá tirar de sua sacola de bondade o perdão que nos cabe. Ele sabe bem disso. Devo-lhe minha vida.
          É serio, mas a Gramática tem dessas coisas.   Se nas esquinas cada perigo nos espreita, nas linhas que escrevemos também.

 *Nota: Fizemos um enxerto: começa em “Observação sobre a vírgula” e finaliza em: Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.”  Ou melhor, é tudo que está escrito na cor azul - Foi transcrito do Blog do Gilberto Cabegg – Escritor e assessor Editorial – Ghost Writer




sexta-feira, 26 de junho de 2015

Semana de 26 junho a 3 de julho de 2015

Fábulas de Esopo:
Hermes e o escultor

          Hermes quis saber qual o grau de estima que os homens lhe devotavam. Tomou a aparência de um mortal e foi ao ateliê de um escultor. Ao ver uma estátua de Zeus, perguntou:
          - Quanto custa?
          - Um dracma – respondeu-lhe o homem.
          Hermes sorriu:
          - E aquela de Hera?
          - É mais cara.
          Hermes viu então sua própria estátua. Achava que, sendo ao mesmo tempo mensageiro e deus do comércio, seu preço seria bem mais alto.
          - E Hermes, quanto custa? – quis saber.
          - Oh, se comprares as outras duas, a levas de brinde.
          - Quem se acha o tal termina valendo menos que o esperado.

Ecologia:
A homeopatia

          A homeopatia é um sistema terapêutico baseado na administração de medicamentos à base de ervas, sais minerais e outras substâncias que provocam sintomas semelhantes aos da doença que curam. Em doses muito pequenas, esses remédios provocariam a reação do organismo e este criaria defesas contra a doença. Ao contrário da medicina alopata, que procura combater diretamente os agentes causadores da doença, a homeopatia pretende cuidar do doente. Mais já existem hoje profissionais que adotam orientação mista – valendo-se da alopatia nos casos graves e de diagnóstico evidente.
(Como defender a Ecologia Tudo o que você pode fazer para salvar o Meio Ambiente - Editora Nova Cultural).

Índice  

1) O caixão fantástico
    - Augusto dos Anjos –
     
       2)  Pingos de Filosofia na sua Bodas de Papel
             - Paulo Ferreira –     


        1)  O caixão fantástico
              - Augusto dos Anjos –
        

Célere ia o caixão, e, nele, inclusas,
Cinzas, caixas cranianas, cartilagens
Oriundas, como os sonhos dos selvagens,
De aberratórias abstrações abstrusas!

Nesse caixão iam talvez as Musas,
Talvez meu Pai. Hoffmânnicas visagens
Enchiam meu encéfalo de imagens
As mais contraditórias e confusas!

A energia monística do Mundo,
À meia-noite penetrava fundo
No meu fenomenal cérebro cheio...

Era tarde! Fazia muito frio.
Na rua apenas o caixão sombrio
Ia continuando o seu passeio!




Foto: Paulo Ferreira
2)     Pingos de Filosofia na sua Bodas de Papel

Paulo Ferreira

“O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira” – Ernest Hemingway.


P
ingos de Filosofia faz seu primeiro aniversário  neste 27 de junho – Sopramos a primeira vela, aliás, a caneta simbolizando o número 1. É que colocamos uma esferográfica no lugar que seria de uma vela do bolo. Para Pingos de Filosofia a caneta é mais representativa que uma vela. Mas nada parecido com o gesto inconformado, anárquico e provocativo do francês Marcel Duchamp quando no movimento Dadaísmo expôs um mictório e assinou embaixo.  A história de velinhas nos bolos remonta à antiga Grécia. Artêmis – deusa da caça era reverenciada no sexto dia de cada mês. E segundo a mitologia, essa divindade era representada pela Lua. O bolo redondo constelado de velas acesas simbolizava a lua cheia. No século XIII os alemães  criaram a kinderfeste – também com velas - festa infantil. Iniciava-se ao raiar do dia quando as velas eram estrategicamente acesas e a criança acordava com a chegada do bolo. Havia sempre uma vela excedente à idade do festejado, que significava a luz da vida. O aniversariante tinha de apagar todas as velinhas de uma só vez fazendo um pedido que se realizaria se fosse mantida uma condição:  segredo.
          Pingos de Filosofia tem também sua história, ou melhor, sua “pré-história” – fase que antecede seu nascimento. Paulo Ferreira, escriba mais presente, anteriormente escrevia para um Blog de um amigo. É quando chega a época da política e Ferreira faz um artigo laudatório protagonizando o médico Jonathan Pliacekos que lhe salvara a vida: Estando numa Unidade Básica de Saúde – UBS (antigo Posto de Saúde), Ferreira teve uma parada cardiorrespiratória. Não medindo esforços, o médico de passagem naquele momento, fez todo o procedimento para reanimar a vítima desfalecida no chão: massagens cardíacas, e encaminhamento para internação. Artigo pronto, artigo remetido. O titular do Blog me falou que o médico não estava de acordo com o candidato dele. Nada mais natural – não é obrigado a todos pensarem iguais. Mas a prática foi diferente – fui sumariamente barrado. Passei um período sem escrever. Tempos depois, José Aparecido Fontoura um de meus leitores cativos fez a observação de minha ausência nas semanas posteriores. Expliquei-lhe o motivo. Ele me sugeriu: “Paulo, por que você não cria um Blog para você?” Eu até que havia pensado nisto antes, mas a  ideia adormeceu. Quando Fontoura me falou no assunto, deu um solavanco e a idéia acordou. Procurei um outro colega Altamirano que seguindo minha concepção montou Pingos de Filosofia. O Blog surgiu de uma crise – no caso, uma censura ideológica. Mas crise, como diria John F. Kennedy, é uma palavra de origem chinesa composta por dois caracteres – um representa o perigo; o outro, oportunidade. Apostamos no segundo e, por isso estamos vivos.

          Voltando tradição teuta que feito o pedido pelo aniversariante o sonho somente se realizaria se fosse mantido em segredo, quebramos o protocolo onírico revelando o que seria nosso sigilo: “desejamos vida longa e cheia de felicidades a todos os nossos leitores e, por extensão, a todo o mundo”.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

“É somente uma partida de futebol”

Paulo Ferreira                 

“Na Europa o futebol é entretenimento entre classes. No Brasil é analgésico do povo” - Thomé

Quarta-feira passada (17/06/2015), pela Copa América, Brasil perdeu para a Colômbia por 1 X 0. O futebol jogado pelo escrete canarinho foi fraco.  O minguado placar correspondeu também ao minguado futebol da Seleção Brasileira.
         Mudou. Muita coisa mudou no futebol. Antes tinha Pelé e o restante da Seleção era de jogadores também de boa qualidade técnica. Naqueles tempos, a Seleção não dependia exclusivamente de Pelé – tinha conjunto. Hoje, temos uma Seleção que depende basicamente de Neymar. Quando este jogador não é escalado, desaba toda a esperança de uma vitória. Tostão, ex-jogador da Seleção e tri em 1970, hoje comentarista, já teceu pertinentes opiniões sobre jogadores comuns e, que são “classificados como craques”, mesmo mostrando um futebol pequeno. A atual Seleção Brasileira de Futebol, sejamos justos, de craque mesmo somente Neymar – isso todo mundo vê. Ao final do jogo, Galvão Bueno, que antes sempre elogiava o atleta, num tom de desencantamento, falou porque inclusive que o jogador foi violento: O Neymar não está em seu equilíbrio normal. Ele entrou no meio dessa confusão aí... Não é isso que nós queremos ver. Para que essa cabeçada? Feio isso, não precisava disso. A imagem que passa é que ele foi pedir desculpas, mas, de qualquer maneira, não se pode fazer isso”.
          O efeito Seleção “imbatível” pode ser comparado ao que aconteceu quando Rubens Barrichello foi para a Ferrari em 2000. Falava-se e prometia-se vitórias “no atacado”. “Finalmente um brasileiro iria correr com os carrinhos vermelhos da mais tradicional equipe de Fórmula 1 desde sua primeira edição em 1950. Mas vitórias de Barrichello vieram “no varejo” -  somente esparsas nove vitórias até sair da escuderie em 2005. Era difícil. Muito difícil. Na Ferrari estava nada mais nada menos que Michael Schumacher – que seria pouco tempo depois - lenda da Fórmula 1. A posição de Barrichello era de segundo piloto – escudeiro. O fato é tão notável que no Grande Prêmio da Áustria de 2002, a poucos metros da bandeirada, o piloto brasileiro cedeu a vitória a Schumacher. Com isso, tivemos descortinada a realidade que se passava nos boxes e, revelando que a posição do piloto em igual tratamento igual ao de Schumacher era um embuste.
          No futebol, Neymar é Schumacher e os demais são os Barrichello. A Seleção Brasileira de Futebol não é em nada superior às outras. De enganação em enganação, a história se repete – só não ver quem não quer – Mesmo que queiram mostrar uma seleção vitoriosa. Para quem já jogou [e bem] na seleção e entende de futebol, Ronaldinho Gaúcho disse que não vê os jogos da seleção porque “não tem paciência de ver os 90 minutos da partida” dos comandados do técnico Dunga.
           Fechando a transmissão do jogo, Galvão Bueno exclamou. “É somente uma partida de futebol”.

          E se foi somente uma partida de futebol, por que ficar o tempo todo como mercador de ilusões, passando uma realidade que não existe para os telespectadores? É muita alienação – como consta nos próprios programas da Rede Globo quando está lá escrito: “Obra de ficção e sem compromisso com a realidade”. Como então pode-se construir um país embasado na Educação se emissoras de televisão – uma concessão pública se assume como “sem compromisso com a realidade”?

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Finalmente liberadas biografias não autorizadas

Paulo Ferreira

“Esta não é uma causa de biógrafos e editores, mas uma causa da sociedade brasileira, de um País que tem pressa de se educar e informar. De todos que acreditam que as idéias e as palavras podem mudar o mundo” -  Gustavo Binenbojm – Representante da                Associação Nacional dos Editores de Livros – Anel.


P
or unaminidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal votaram a favor das biografias não autorizadas. Os magistrados analisaram a Ação de Inconstitucionalidade movida pela Anel que questionava os artigos  20 e 21 do Código Civil que permitia a biografados e herdeiros o direito de impedir a circulação das obras sem suas autorizações. O ministro Luis Roberto Barroso defendeu enfaticamente que “nos tempos da ditadura e nos tempos atuais, a legislação em vigor é um desestímulo à produção de obras biográficas. O poder público tem o dever de incentivar essa produção”. Mas sob a vigência dos artigos 20 e 21 do Código Civil, essa produção é prejudicada. É como se ainda estivéssemos na Idade Média quando sob o manto escuro da Inquisição, o Índex Librorium Prohibitorum espécie de “catálogo de livros proibidos pela Igreja” ainda estivesse vigorando.   Para se ter uma ideia da dimensão dessa medida, filósofos, enciclopedistas e pensadores foram até sumariamente censurados. Figuras notáveis como Galileu Galileu, Nicolau Copérnico, Erasmo de Roterdã, John Lock, Thomas Hobbes, Montesquieu, David Hume, Voltaire, Jonathan Swift, Jean-Paul Sartre e Vitor Hugo foram duramente atingidos por esse chicote de perseguição. Recentemente o livro de Ruy Castro sobre a biografia de Garrincha – jogador de futebol teve todos os volumes recolhidos a pedido das filhas do atleta. E pelo mundo afora, outras obras também receberam a extirpação do bisturi da censura como Fahrenheit 451 – Ray Bradbury e levada às telas por François Truffaut. A obra retrata um estado totalitário onde os livros são inimigos públicos. Queimá-los  é a solução. O quanto a humanidade perdeu em função dessas medidas reacionárias!? Quem iria se dar ao trabalho de escrever uma obra muitas vezes nas piores condições possíveis e ver todo seu trabalho e esforço em vão?
          Em 2006 foi lançado o “Roberto Carlos em Detalhes” – Paulo César de Araújo, jornalista e fã assumido do cantor. No ano seguinte, o biografado recorrendo à justiça, fez com que todos os volumes fossem retirados das livrarias. É sabido que eram muitos livros que ainda aguardavam à venda. Não se sabe que destino lhes deram ou mesmo se os lançaram na fogueira medieval.  O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay defensor do Roberto Carlos se embasava no Código Civil na proteção da intimidade de seu cliente que estava sendo atacada e, “não para exercer uma decisão prévia, mas para depois da publicação do livro”.  A ministra relatora Carmen Lucia argumentou que “Constituição Federal já garante a defesa de quem se sentir atingido por uma biografia pretensamente injuriosa”. Sobre os riscos de abusos por parte de biógrafos, disse-a ser “a vida uma experiência de riscos, mas a vida pede coragem perante os riscos”.
         Parabéns Brasil por essa medida. Mas o embate pode ser classificado como um duelo de titans – a outra parte – a dos editores de livros também é muito poderosa. Via-se ameaçada por uma perda de um filão. Roberto Carlos acionando seu batalhão de advogados impediu a venda de sua biografia.
          Resta saber se a justiça que operou com tanta celeridade em defesa do cantor é a mesma que rege as vidas dos simples mortais, aqui classificada como um duelo de Davi e Golias – luta desproporcional. Davi tinha sua arma – funda. Nós somos atirados à arena de mãos vazias. Quantas são as pessoas na prisão e que já caducou sua sentença, à espera da justiça? E também nas que ainda não conseguiram o direito à herança, questões trabalhista?

          Neste caso, o Brasil continua sendo o mesmo Brasil das injustiças para os mais fracos.

sexta-feira, 5 de junho de 2015



                


5 de junho -  dia do Meio Ambiente – As sacolas plásticas

Paulo Ferreira


“Você deve ser a própria mudança que deseja       ver no mundo” - Mahatma Gandhi.               


A
inda não vimos muita melhoria para as questões ambientais. Por um lado, uma indústria que se sustenta cada vez mais em embalagens plásticas e, por outro, uma gama de consumidores que não abdicam do “conforto” da “cultura do plástico”.  Nos supermercados, quanto maior é o poder de compra, maior também esse tipo de consumo – carrinhos cheios de produtos com embalagens longa vida, biscoito, queijos e outros em embalagens duplas e triplas. As sacolas plásticas, por exemplo, é um item que a civilização ocidental ainda não se libertou. Elas podem levar até 400 anos para se decompor – isto porque a natureza não dispõe de organismos enzimaticamente equipados para decompor moléculas artificiais. Considere-se ainda que por ano são produzidas cerca de 500 bilhões de sacos plásticos – o equivalente a 1,4 bilhão por dia ou 1 milhão por minuto. No caso brasileiro - as sacolas plásticas representam 10% do volume de lixo. Quando vem as chuvas e levam essas sacolas para os bueiros, elas contribuem diretamente para os entupimentos destes com  consequente alagamento das vias públicas e também pelos danos causados quando invadem casas. Na sequência, vão parar nos rios e destes fluem para o mar. Existe uma imensa área entre o litoral da Califórnia e o Havaí chamado de Lixão do Pacífico, onde através das correntes marinhas as sacolas plásticas são levadas até lá.
Peixes, mamíferos, quelônios e outros, confundindo ou engolindo sacolas perto dos elementos de suas cadeias alimentares, captam também as sacolas plásticas.
          É preciso mais programas de conscientização – mais educação. Até mesmo que no Art. 225 da Constituição Federal de 1998: “Todos tem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo um bem comum a todos, fundamental para a sadia qualidade de vida.

          O tema ambiental é uma questão de vida ou morte. Ainda há tempo para pensar – Ainda.