sexta-feira, 18 de março de 2016

Semana de 18 a 25 de março de 2016


Lula ministro – quando o poder não dá bom exemplo da moralidade

Paulo Ferreira


O que destrói a humanidade: A política, sem princípios; o prazer sem compromisso; a riqueza sem trabalho; a sabedoria sem caráter; os negócios sem moral; a ciência sem humanidade; a oração sem caridade”- Mahatma Ghandi. 

N
inguém respeita mais nada nem ninguém neste país. Em todo extrato social, a desordem está escancarada. Até Dilma Rousseff, presidente do País dá mal exemplo nomeando o ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil. Igualdade é princípio que deve nortear toda e qualquer lei. Vejamos: um candidato ao concurso público, tem de se esforçar estudando, se isolando e até renunciando a outros momentos de sua vida. Sem sacrifício, a vitória não vem. Em caso de aprovação, à espera da convocação que nem sempre ocorre de imediato. As vezes dura mais de dois anos e nem tem o prazo prorrogado para mais dois anos como preconiza a lei. Noutras vezes nem ocorre. É uma maratona de pressão e estresse. Finalmente, a posse que culmina com apresentação de documentos que comprovem que o candidato está apto a exercer com competência ao cargo aspirado. Além da apresentação de toda lista quilométrica de documentos exigidos, deve constar também uma folha de conduta limpa. Ou seja, qualquer mancha moral impede que determinado candidato assuma o emprego.
          Esse trâmite não existe em Brasília.  A presidente Dilma nomeou nesse 16 de março de 2016 para o cargo de Ministro da Civil o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo na condição de ele ter alguns processos e, em fase de investigação de outros.  No dia seguinte, a Justiça Federal de Brasília determinou na quinta-feira efeito suspensivo para essa nomeação.
          Mas para que tudo isso ocorra, há todo um sistema poderoso e cujos tentáculos abraçam o visível, e o invisível. A começar pela grande imprensa. A programação na grade das emissoras não assume de maneira nenhuma a responsabilidade de dar para a nação uma educação libertadora. Apesar do assunto ser recorrente, temos que falar na over dose de Big Brother, Futebol, novelas e outros programas aparentados que nada contribuem na edificação da população.
          Mas “o poder legalmente instituído” é o reflexo direto da população. Boa parte dela é corrupta, quando recebe troco a mais não devolve, saqueia carga em acidentes rodoviários, fura fila, não respeita as leis de trânsito. Queríamos mais o quê? Esse era o medo que tinha Platão no risco da Democracia de aparecer alguém despreparado e destituído dos valores da boa governança e da égide da Ética.
          Quem morreu foi Platão. Mas suas ideias continuam cada vez mais vivas e mais presentes em nosso cotidiano.
          

Trecho da decisão publicada no jornal Folha de São Paulo de 18 de março de 2016:
          “A estrutura deste órgão conta com substitutos eventuais que podem perfeitamente, assumir as elevadas atribuições do Cargo.
          Assim, em vista do risco de dano ao livre exercício do Poder Judiciário, da autuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR PARA SUSTAR O ATO DE NOMEAÇÃO DO SR. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA para o Cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República, ou qualquer outro que lhe outorgue prerrogativa de foro.
          Intimem-se e citem-se a União e a Excelentíssima Senhora Presidente da República da República para imediato cumprimento. Caso já tenha ocorrido a posse suspendo seus efeitos até julgamento final desta ação”.