Semana de 11 a
18 de março de 2016
Nosso
mundo e o mundo
Paulo Ferreira
“Se
você passar daquela porta/você vai ver como é que são as coisas/como é que
estão as coisas/sei que o mundo pesa muitos quilos.../Aí então você vai se
convencer/que se o mundo pesa/não vai ser de reza/que você vai viver/descanse
um pouco e amanheça aqui comigo/sou seu amigo/Você vai ver”
– Grilos - (Roberto e Erasmo Carlos).
|
D
|
entro dos limites de
nossas casas, na maioria das vezes há tolerância e equilíbrio nas relações. Saindo
dela e entrando no mundo, é se preparar para um cenário de guerra.
Índios entram em guerra, mas em
condições extremas, quando existe ameaça à sobrevivência. Se pintam para
valorizar a vitória. O embate se dá com grupos tribais diferentes. Em nossa
guerra, não brigamos contra grupos diferentes, brigamos e agredimos nossos
iguais. As pessoas estão cada vez mais agressivas, até parece que os níveis de
testosterona aumentaram ao longo do tempo, ou então falhamos na Educação. As
agressões se dão até por mínimos motivos, ou mesmo na ausência deles. Há um
constante estremecimento, uma fissura nas relações e, o respeito volatilizou-se
do dicionário das boas maneiras. Se
falta respeito, pedido de desculpas, esse, pouca gente sabe o que é.
Novos paradigmas surgem. Em sala de aula,
professor não é mais respeitado como antes – aboliram a Escola Tradicional com
o argumento de que tinha conteúdo intelectualista e enciclopédico trabalhando
separadamente a experiência do aluno em sala de aula com a realidades sociais.
Mas criticada ou não, essa prática pedagógica funcionava, dava certo. No lugar
de responsabilidade e respeito, jogaram poesia e permissividade na Educação. O
resultado é o que vemos tanta violência nas escolas que até professor apanha.
Saímos de casa e não sabemos se
voltamos. Nossa sobrevivência recebe um tratamento estatístico – se estamos
vivos, tudo bem. Mas alguém morreu. Amanhã pode ser um de nós.
As mídias por sua vez nem se preocupam
com o problema. Aumentam-no. Tem lutas de MMA valendo tudo e, gente que paga
para ver. Até as mulheres também estão nesse tipo de comunicação, se é que
podemos assim nos referir, visto que violência está se tornando uma espécie de
linguagem. Já temos muitas pessoas “falando” fluentemente o “violencialês”.
Se índios brigam quando sua
sobrevivência está ameaçada, nós que não temos nossa sobrevivência ameaçada
brigamos por quê? O que está errado?