sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Semana de 4 a 11 de dezembro de 2015
Remetendo o terrorismo e a bandidagem brasileira à Pré-História
Paulo Ferreira
"A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano" - João Paulo II.
O mundo está em estado de alerta. O terrorismo cada vez mais se agiganta, não se insurgindo contra indivíduos ou grupos sociais. O terrorismo desafia Estados poderosos deixando-os apalermados. "Estudiosos" das ciências sociais argumentam que esse tipo de crime organizado é de "extrema ameaça às democracias ocidentais". É a visão do "outro" a partir do meu "eu" pelo viés do etnocentrismo. Dizem que o oriente é mais atrasado que o ocidente e ainda a liberdade naquelas paragens ainda está por vir - com alguns séculos de atraso - o oriente somente melhorará quando se "ocidentalizar". Inclua-se também nosso conceito de liberdade - o de consumir.
Há os que defendam que no oriente não tem liberdade e que somente nós a temos. No passado a dominação do homem pelo homem se dava através da força e pelas armas. Do oriente é essa a nossa visão de dominação. Para esses mesmos estudiosos, o mundo edênico e sem mácula está aqui representado.
No oriente, pelos menos a dominação é visível.
Aqui que pensamos ter liberdade, a dominação é maior. A dominação é feita de maneira sub-reptícia. Não precisamos recorrer à força da cimitarra. A dominação se dá através da Economia (ver Karl Marx), Hegemonia (Antonio Gramsci ), Esmagamento da Classe Trabalhadora (Herbert Marcuse). Somente nesses três pensadores vemos que nossa dominação é a pior que existe. O pior inimigo é aquele que não vemos. E essa sensação de termos liberdade sem tê-la, tornam-nos escravos dos outros e também de nós mesmos.
A bandidagem no Brasil mata mais que muitas guerras. Segurança dever do Estado foi deslocada para o indivíduo. Quem não pode comprar carro blindado já sabe que sua expectativa de vida não é aquela dos discursos dos demógrafos. Vivemos num mundo de medo. As pessoas não sabem, mas ver o dia nascer equivale a ganhar na loteria - viver é uma aposta. Ficamos nessa condição: assassinaram nosso vizinho ontem, hoje meu colega de trabalho. Amanhã poderá ser eu? A morte infatigável faz sua ronda diuturna. Nem em casa "asilo inviolável" do cidadão temos segurança (ver Constituição Federal).
"As nações estão preocupadas com tanta violência". A ONU também. Algum plano mirabolante deverá ser apresentado, mas sempre centrado no capital.
Uma grande contradição nesse panorama. Fala-se em Paz e em um mundo melhor. Problemas se combatem em suas causas e não em efeitos. Por que o mundo não se reúne e fecha todas as indústrias bélicas? Poderia dar certo combinada com outras soluções. Já poderia ser um bom começo. Aí, remeteríamos terrorismo e a bandidagem brasileira para a Pré-História cujas armas eram tacape, paus e pedras.
Quando a tecnologia não é veiculada para social dá nisso. Enquanto formos regidos por uma sistema-político que privilegia o capital em detrimento à vida, a morte impera. Mas sou muito otimista quanto a tudo isso: dias piores virão.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário