sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Semana de 7 a 14 de agosto


Agosto – mês do desgosto?

Paulo Ferreira

“Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada, paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mal; fé para estar seguro, o tempo todo que chegará setembro. E também certa não-fé para não ligar a mínima às negras lendas deste mês do cachorro louco” - Caio Fernando Loureiro de Abreu – Jornalista e escritor.


E
m 1572 sobe ao trono papal o professor de Jurisprudência Ugo Buoncompagni, que toma o nome de Gregório XIII. Logo, monta uma comissão que começa a rever o calendário Juliano, então em uso há 1600 anos.
          Julius Caesar (100 a.C. – 44 a.C.) herdou um calendário lunar de 354 dias que vinha sendo usado há seis séculos. A defasagem de 11 dias por ano precisou ser corrigida com uma ação radical: o ano de 46 a.C. teve 445 dias. César adotou o ano de 365 dias e ¼, com três anos de 365 dias e um  de 366. Os meses tinham 30 e 31 dias. Para Homenageá-lo, o Senado aprovou a mudança de quinto mês – Quintilis, para Julius, daí – “Julho” que tinha 30 dias. Para torná-lo mês de 31 dias tiraram um dia do mês de fevereiro.
          Quando quis homenagear Augustus, o Senado mudou o nome de Sextilis para Augustus, daí, - “Agosto”. Só que agosto tinha também 30 dias. E para que o mês do imperador Augusto não fosse menor que o de Júlio César, tiraram mais uma vez um dia do mês de fevereiro.
          Assim nasceu Agosto, carregado de pompa e força triunfal. Pra começar, ainda no longínquo ano de 1572, uma batalha entre católicos e protestantes matou milhares de pessoas nas ruas de Paris. A partir dessa data, ano após ano, uma série de infortúnios marcou o oitavo mês do calendário gregoriano, envolto em um clima de mistério, superstição, suspeição, ceticismo e misticismo.
          O século XX trouxe acontecimentos que corroboram o imaginário popular agostoniano. Uma breve revisão histórica:
a) Em 1º de agosto de 1914, os conflitos com o assassinato de Francisco Ferdinando herdeiro do império austro-húngaro, eclodem a Primeira Guerra Mundial;
b) Morrem Marilyn Monroe e Carmen Miranda – a “pequena notável” (dia 5);
c) Morte do Papa Paulo VI e Jorge Amado (dia 6);
d) E.U.A. lança duas bombas atômicas no Japão (que já estava na iminência da rendição – por isso ação genocida desnecessária) nas cidades de Hiroshima e Nagasaki (respectivamente, nos dias 6 e 9);
e) Morte do “cantor das multidões” – Orlando Silva (dia 7);
f) Um incêndio destrói a plataforma submarina de Enchova, no Rio de Janeiro, com 36 mortes e 25 desaparecidos (dia 16).
g) Morre o poeta Carlos Drummond de Andrade (dia 17);
h) Morre o mais festejado dos cineastas brasileiro – Glauber Rocha (dia 22);
i) Morre o cantor Vicente Celestino (dia 23);
j) Suicídio do presidente Getúlio Vargas (dia 24);
k) “Forças ocultas” obrigam o presidente Jânio Quadros a renunciar (dia 25);
l) Morre em acidente automobilístico Lady Di (dia 31).
          Fica no ar a pergunta que não quer calar: E no agourento, fatídico, místico e mítico dia 13 de agosto, não aconteceu nada?
          - Elementar, meu caro Watson, digo, leitor. Aconteceram dois fatos marcantes nesta data para o país. Um foi ruim; o outro,  bom.
m) O ruim: morrem Menininha do Gantois e Tonico (da dupla Tonico e Tinoco);
n) O bom: Nasce no Brasil o escriba, autor deste singelo texto.