Semana de 7 a 14 de agosto
Agosto – mês do desgosto?
Paulo Ferreira
“Para atravessar agosto é preciso antes
de mais nada, paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar
esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mal; fé para estar seguro, o tempo
todo que chegará setembro. E também certa não-fé para não ligar a mínima às
negras lendas deste mês do cachorro louco” - Caio Fernando Loureiro de Abreu – Jornalista e escritor.
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1572 sobe ao trono papal o professor de Jurisprudência Ugo Buoncompagni, que
toma o nome de Gregório XIII. Logo, monta uma comissão que começa a rever o
calendário Juliano, então em uso há 1600 anos.
Julius Caesar (100 a .C. – 44 a .C.) herdou um calendário
lunar de 354 dias que vinha sendo usado há seis séculos. A defasagem de 11 dias
por ano precisou ser corrigida com uma ação radical: o ano de 46 a .C. teve 445 dias. César
adotou o ano de 365 dias e ¼, com três anos de 365 dias e um de 366. Os meses tinham 30 e 31 dias. Para
Homenageá-lo, o Senado aprovou a mudança de quinto mês – Quintilis, para
Julius, daí – “Julho” que tinha 30 dias. Para torná-lo mês de 31 dias tiraram
um dia do mês de fevereiro.
Quando quis homenagear Augustus, o
Senado mudou o nome de Sextilis para Augustus, daí, - “Agosto”. Só que agosto
tinha também 30 dias. E para que o mês do imperador Augusto não fosse menor que
o de Júlio César, tiraram mais uma vez um dia do mês de fevereiro.
Assim nasceu Agosto, carregado de
pompa e força triunfal. Pra começar, ainda no longínquo ano de 1572, uma
batalha entre católicos e protestantes matou milhares de pessoas nas ruas de
Paris. A partir dessa data, ano após ano, uma série de infortúnios marcou o
oitavo mês do calendário gregoriano, envolto em um clima de mistério,
superstição, suspeição, ceticismo e misticismo.
O século XX trouxe acontecimentos que
corroboram o imaginário popular agostoniano. Uma breve revisão histórica:
a)
Em 1º de agosto de 1914, os conflitos com o assassinato de Francisco Ferdinando
herdeiro do império austro-húngaro, eclodem a Primeira Guerra Mundial;
b)
Morrem Marilyn Monroe e Carmen Miranda – a “pequena notável” (dia 5);
c)
Morte do Papa Paulo VI e Jorge Amado (dia 6);
d)
E.U.A. lança duas bombas atômicas no Japão (que já estava na iminência da rendição
– por isso ação genocida desnecessária) nas cidades de Hiroshima e Nagasaki
(respectivamente, nos dias 6 e 9);
e)
Morte do “cantor das multidões” – Orlando Silva (dia 7);
f)
Um incêndio destrói a plataforma submarina de Enchova, no Rio de Janeiro, com
36 mortes e 25 desaparecidos (dia 16).
g)
Morre o poeta Carlos Drummond de Andrade (dia 17);
h)
Morre o mais festejado dos cineastas brasileiro – Glauber Rocha (dia 22);
i)
Morre o cantor Vicente Celestino (dia 23);
j)
Suicídio do presidente Getúlio Vargas (dia 24);
k)
“Forças ocultas” obrigam o presidente Jânio Quadros a renunciar (dia 25);
l)
Morre em acidente automobilístico Lady Di (dia 31).
Fica no ar a pergunta que não quer
calar: E no agourento, fatídico, místico
e mítico dia 13 de agosto, não aconteceu nada?
- Elementar, meu caro Watson, digo,
leitor. Aconteceram dois fatos marcantes nesta data para o país. Um foi ruim; o
outro, bom.
m)
O ruim: morrem Menininha do Gantois
e Tonico (da dupla Tonico e Tinoco);
n)
O bom: Nasce no Brasil o escriba,
autor deste singelo texto.