sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Semana de 14 a 21 de agosto de 2015


Projeto Brasil

Paulo Ferreira

“As idéias boas movem e edificam o mundo, empurram-no para frente. As ruins travam e até o arrasta para trás” – Paulo Ferreira da Rocha Filho.

V
inicius de Moraes após concluir a poesia “Tarde em Itapuã”, achou por bem que Dorival Caymmi colocasse a música. Toquinho, cantor, compositor e virtuose do violão e, parceiro de Vinícius, aproveitou um descuido do poetinha (como era chamado Vinicius) e “lhe roubou” a letra. Às escondidas, musicou o poema e depois mostrou ao autor. Melodia aprovada, o poeta resolveu torná-la definitiva. Nascia a  música Tarde em Itapuã com a assinatura Toquinho-Vinicius.
          A jornalista, teatróloga e professora de Língua Portuguesa Lucia Maria de Fátima Rocha, em conversa com este escriba, falou-lhe de um assunto muito interessante para melhorar o País a um custo baixo. Nada dos pacotes importados com pagamentos de royalties e que nada condiz com nossa realidade. Cada grupo daria sua sugestão (contribuição) de acordo com sua área  profissional, passando o melhor para a comunidade. Exemplo: ao professor, quais melhores maneiras de alfabetizar, dar as bases da cidadania e da ética; aos engenheiros e arquitetos como melhor produzir uma agricultura com alimentos sem agrotóxicos, construção de casas populares boas, espaçosas, seguras e confortáveis; aos médicos uma prática de uma medicina preventiva com uso de remédios naturais (medicina alternativa); aos nutricionistas, a melhor alimentação; aos jornalistas, assessores de imprensa, publicitários e outros da comunicação, que primassem com uma programação crítica para a construção do bom caráter do telespectador. Todos demais profissionais não citados, idem. Não esquecendo, portanto, os pescadores, agricultores índios e outros –  envolvendo a cultura popular. Seria uma espécie de Encontro Técnico-Cientifico e de Saber Popular. Teria um cunho “ecumênico”. O resultado redundaria numa colcha de retalhos de conhecimentos interagindo entre si. Até mesmo porque conhecimento isolado nada ou pouco produz. Cada um com seu saber em prol de todos – uma volta ao holismo grego.
          Como diria Cyro dos Anjos em seu livro O Amanuense Belmiro, “comecei a ruminar umas idéias”.
A partir do comentário da colega, por sinal com uma lúcida e ótima linha de raciocínio  - irretocável.
          Autor de um conhecimento ou de uma patente não é geralmente quem chegou a ele primeiro, mas quem se apressou a divulgá-lo. Foi o que ocorreu com o telefone: o engenheiro Elisha Gray (1835-1901) e o professor de surdos-mudos Alexander Graham Bell (1847-1922), ambos o inventaram. Depositaram seus pedidos de patente no dia 7 de março de 1876 no “Patente Office” norte-americano. O pedido de Bell chegou algumas horas antes do apresentado por Gray.  Depois de uma longa e renhida disputa judicial, Bell ganhou a causa sagrando-se vitorioso. Seu sistema telefônico monopolizou o mercado. Bel ficou rico e famoso no mundo inteiro.  A Gray, as teias do esquecimento.
          E imitando o gesto do Toquinho e preocupados com o final infeliz de Gray, resolvemos publicar o estudo da jornalista Lucia Maria de Fátima Rocha depois de muitas análises éticas e morais em Pingos de Filosofia. Mesmo sem o prévio conhecimento e consentimento da autora. Demos esse tratamento zeloso a essa grande idéia para evitar que “algum aventureiro a deponha sobre a cabeça”. Temos a certeza que ela lerá este artigo logo, logo. O estudo de Lucia de Fatima bem que merece o título de “Projeto Brasil.” É tudo o que precisamos para resgatar nossos bons valores e construirmos um país melhor.
          Nós, simples mortais pensamos e, até raciocinamos. Lucia de Fátima elucubra.