2) O
futuro da humanidade
Paulo
Ferreira
“Tudo o que podia ser inventado já o
foi” – Diretor do Departamento de
patente dos Estados Unidos em 1899, solicitando que sua repartição fosse
abolida porque achava que não havia mais nada a inventar.
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A
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frase
acima foi proferida nos estertores do Século XIX quando começaram a surgir os
primeiros protótipos do automóvel. O autor falara como se o tempo, a partir
daquele momento, se congelasse e seu devir
repousasse num canto qualquer do espaço. Até diríamos que ele economizou nos
pensamentos. Consequentemente apareceu uma miríade de produtos, instrumentos e
artefatos. O homem trocou a iluminação dos antigos
lampiões pela lâmpada incandescente de Thomas Alva Edison e, passou a permutar
a carroça e cavalo por aviões. Criou duas Grandes Guerras, duas bombas atômicas
“para plantar a paz”, o rádio, a televisão, o cinema. Só ficou faltando a
garantia da sobrevivência para dar manutenção à espécie humana. Nesse quadro, surge
nos anos de 1960, um pacote tecnológico que os Estados Unidos aplaudiram e o
mundo recebeu de braços abertos – “Revolução Verde” – o responsável por essa
conquista, o Engenheiro Agrônomo norteamericano Norman Ernest Borlang – Prêmio
Nobel da Paz em 1970. Seu projeto “tiraria o mundo da fome”. Em seu bojo trazia
mudanças na estruturação da agricultura com sementes híbridas, agrotóxicos e
adubos sintéticos. Era uma agropecuária tecnologicamente dependente e nefasta à
saúde e desenvolvimento humano. Expulsou o pequeno agricultor do campo e fomentou
o êxodo rural com o agravo das explosões demográficas nas principais cidades
brasileiras.
Em 1963, a Bióloga Rachel
lançou o que seria o primeiro Manifesto Ecológico – Primavera Silenciosa, livro
alertando sobre a exagerada agricultura química que matava passarinhos e também
seres humanos. O mundo viu, depois, que esse desenvolvimento era centrado na
capital e não na pessoa humana.
Tivemos depois o
advento do videocassete e com ele extinção dos cinemas de bairro, o carro flex,
celular e toda parafernália que nos garante uma boa qualidade de vida. Mesmo
com toda essa variedade de máquinas, somos uma sociedade triste, patética e
ideologicamente dominada. Visto ainda que o termo “Qualidade de vida”, como
diria o Filósofo Antonio Neto vem associado ao consumo. Aí todos vão
consumindo, esgotando o planeta e vamos ter um mundo degradado – inabitável.
Onde foi parar com isto nossa tão decantada qualidade de vida? O sistema político-econômico
opera silencioso, de forma sub-reptícia. A dominação se dá nas sementes transgênicas
(geneticamente modificadas), nos alimentos que nos adoecem para que, depois,
corramos às farmácias para enriquecermos a indústria e os grandes laboratórios
famintos de dividendos. As mídias também fazem parte desse embrutecimento do
Homo sapiens. Sapiens?
A solução do mundo
atual não será encontrada no futuro. Temos que buscá-la no passado, no nosso reaproximamento
com a natureza. Consumirmos alimentos sem agrotóxicos, água livre de poluição,
respirarmos um ar puro, de trocar o lucro individualista pelo crescimento
social, onde a boa qualidade de vida seja exigida em todos os parâmetros e, que
a vida seja valorizada e levada á sério, condição sine qua non que nos torna humano.