sexta-feira, 3 de abril de 2015

2)              O futuro da humanidade

Paulo Ferreira

“Tudo o que podia ser inventado já o foi” – Diretor do Departamento de patente dos Estados Unidos em 1899, solicitando que sua repartição fosse abolida porque achava que não havia mais nada a inventar.

A
frase acima foi proferida nos estertores do Século XIX quando começaram a surgir os primeiros protótipos do automóvel. O autor falara como se o tempo, a partir daquele momento, se congelasse e seu devir repousasse num canto qualquer do espaço. Até diríamos que ele economizou nos pensamentos. Consequentemente apareceu uma miríade de produtos, instrumentos e artefatos. O homem trocou a iluminação dos antigos lampiões pela lâmpada incandescente de Thomas Alva Edison e, passou a permutar a carroça e cavalo por aviões. Criou duas Grandes Guerras, duas bombas atômicas “para plantar a paz”, o rádio, a televisão, o cinema. Só ficou faltando a garantia da sobrevivência para dar manutenção à espécie humana. Nesse quadro, surge nos anos de 1960, um pacote tecnológico que os Estados Unidos aplaudiram e o mundo recebeu de braços abertos – “Revolução Verde” – o responsável por essa conquista, o Engenheiro Agrônomo norteamericano Norman Ernest Borlang – Prêmio Nobel da Paz em 1970. Seu projeto “tiraria o mundo da fome”. Em seu bojo trazia mudanças na estruturação da agricultura com sementes híbridas, agrotóxicos e adubos sintéticos. Era uma agropecuária tecnologicamente dependente e nefasta à saúde e desenvolvimento humano. Expulsou o pequeno agricultor do campo e fomentou o êxodo rural com o agravo das explosões demográficas nas principais cidades brasileiras.
          Em 1963, a Bióloga Rachel lançou o que seria o primeiro Manifesto Ecológico – Primavera Silenciosa, livro alertando sobre a exagerada agricultura química que matava passarinhos e também seres humanos. O mundo viu, depois, que esse desenvolvimento era centrado na capital e não na pessoa humana.
          Tivemos depois o advento do videocassete e com ele extinção dos cinemas de bairro, o carro flex, celular e toda parafernália que nos garante uma boa qualidade de vida. Mesmo com toda essa variedade de máquinas, somos uma sociedade triste, patética e ideologicamente dominada. Visto ainda que o termo “Qualidade de vida”, como diria o Filósofo Antonio Neto vem associado ao consumo. Aí todos vão consumindo, esgotando o planeta e vamos ter um mundo degradado – inabitável. Onde foi parar com isto nossa tão decantada qualidade de vida? O sistema político-econômico opera silencioso, de forma sub-reptícia. A dominação se dá nas sementes transgênicas (geneticamente modificadas), nos alimentos que nos adoecem para que, depois, corramos às farmácias para enriquecermos a indústria e os grandes laboratórios famintos de dividendos. As mídias também fazem parte desse embrutecimento do Homo sapiens. Sapiens?

          A solução do mundo atual não será encontrada no futuro. Temos que buscá-la no passado, no nosso reaproximamento com a natureza. Consumirmos alimentos sem agrotóxicos, água livre de poluição, respirarmos um ar puro, de trocar o lucro individualista pelo crescimento social, onde a boa qualidade de vida seja exigida em todos os parâmetros e, que a vida seja valorizada e levada á sério, condição sine qua non que nos torna humano.