Semana de 13 a 20 de novembro de 2015
Gemeisnchaft
und Gesellschaft*
Paulo Ferreira
“Pensamos
demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas.
Mais de vontade e ternura que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará
violenta e tudo se perderá” - Charles Chaplin,
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á muita diferença entre
as relações nas sociedades caçadoras-coletoras e as que vieram com o advento da
Revolução Industrial. Nessa abordagem, o sociólogo Ferdinand Tönnies
(1855-1936) manifesta sua inquietação com a formação e direcionamento das
relações sociais. Gemeisnchaft – ele cunhou
as sociedades tradicionais. Os laços sociais eram mantidos nas famílias,
crenças, costumes, cultura e religião. Esses grupos sociais formados estruturalmente
de formas coesas, mantinham as amizades de forma mais confiável, sem interesses
em função de poder, visto que ele existia de forma mais amenizada. Gesellschaft
- as sociedades industriais, ao contrário, romperam com os laços que as uniam
outrora. As fábricas com suas chaminés “vomitando” progresso agora interferiam
de forma significativa nos relacionamentos. Estes passaram a ser com
distanciamento, indiferença e frivolidade. Transcorridos quase 200 anos desse
período e, considerando que a cada dia, as amizades mais se volatilizam, é de
preocupar até mesmo porque a causa principal da perpetuação de espécie do Homo sapiens foi a colaboração. Esse
item é de certa maneira um atributo cada vez mais raro.
Tudo isso é reflexo de um mundo corporativo
e de exclusão social. O ser foi substituído pelo ter. Até conceitos foram
mudados. Felicidade significa propriedade, posse. As pessoas são “felizes”
quando estão comprando alguma coisa. As escolas têm como metas a formação de um
profissional voltado para o mercado de trabalho. Somente isso. Temos inteligência
suficiente para fabricarmos aviões e, também a temos para fabricarmos mísseis que
os derrubam. Se sobra inteligência para destruir, faltam sentimentos que legitimem
nossa condição humana.
Na construção da sociedade da Pré-História
até a fase Contemporânea, o instinto da sobrevivência com a colaboração foram os
dois elementos preponderantes que nos fizeram sobreviver. O primeiro – Instinto de Sobrevivência ainda o
temos. O segundo - Colaboração, cada vez mais se definha e se volatiliza. Caso
nossos laços da Gemeisnchaft (Comunidades tradicionais) não reatem, o
amanhã fica cada vez mais incerto. Paira sobra a humanidade uma nuvem sombria
de ameaça à sobrevivência. Até porque o homem isolado não sobrevive.
*Gemeisnchaft
und Gesellschaf - (Comunidades tradicionais e Sociedade industrial)
escrito em 1887.