sexta-feira, 20 de maio de 2016

Semana de 20 a 27 de maio de 2016

22 de maio – dia do apicultor



Epopeia das abelhas
Paulo Ferreira da Rocha Filho

                    I
A natureza está perdendo o vigor
Abelha já não visita flor
Polinização aumenta a produção
Discordar disso, mais não
                 II
Abelhas aqui e ali pousam
Se intumescem de pólen
E quase não repousam
Fabricam o máximo de mel que podem
                    III
As plantas que nos alimentam
Dela dependemos
Animal e planta se unem, se contentam
Estão acabando essa celebração com tanto veneno
                IV
Elas também produzem cera, própolis, geleia real
Alimento e remédios dos deuses – tudo natural
Parece que se está com os dias contados
Os apicultores estão abismados
              V
Pois elas também geram emprego e renda
Com tanto argumento ainda há quem não se prenda
Muita gente sustenta famílias com esses insetos
É trabalho garantido, tido como certo
            VI
Expansão urbana, desmatamento e falta de senso
Estão comprometendo uma teia ecológica, eu penso
Dizem até que estão fazendo sucesso
Deram a isso um nome bonito - progresso
               VII
Mas que tipo de progresso é esse que só destrói
Progresso que não melhora qualidade de vida, dói
Dói em tudo, na barriga e na consciência
Onde foi parar tanta pesquisa e tanta ciência?
                    VIII
Indefesas abelhas não fazem mal
Tornam o mundo melhor, em outro astral
Seu mel é o melhor adoçante natural
Que o diga nosso mais antigo ancestral
                  IX
Não que eu queira me meter em tudo
Nem também pensem que sou abelhudo
Poderíamos acabar agora essa guerra
E essa história triste aqui se encerra.
                    ...






sexta-feira, 13 de maio de 2016

Semana de 13 a 20 de maio de 2016

            Foda-se *
Paulo Ferreira da Rocha Filho
                       I
Nas minhas múltiplas idades**
Umas acontecem cedo; outras, tardes
Agora, em melodia diferente entoa-se
Entrei na fase do foda-se
                      II
Foda-se quem pensa que devo ser diferente
Foda-se quem acha que devo me relacionar com mais gente
Foda-se quem me acha metódico
Foda-se quem me acha escatológico
                       III
Foda-se quem acha que pode comprar felicidade
Foda-se quem quer ou não mudar de cidade
Foda-se quem me despreza
Foda-se quem por mim não reza
                        IV
Foda-se quem acha que para melhorar tenho que imitar alguém
Foda-se, mas não pretendo me anular diante de ninguém
Foda-se quem me cobra que logo tenho de comprar um carro
Foda-se quem me condena porque o que vejo e sinto nem sempre narro
                            V
Foda-se quem quer que eu viva de aparência
Foda-se quem não valoriza do humano a essência Foda-se quem me acha estranho
Foda-se quem tem esse juízo tacanho
                              VI
Foda-se quem não quer o mundo melhorar
Foda-se quem não quer se esforçar
Foda-se quem pensa que a morte é o fim de tudo
Foda-se quem não sabe que depois virá bíblico estudo
                               VII
Foda-se quem errou e não quer acertar
Foda-se quem não quer se desculpar
Foda-se quem tudo que pensa, diz
Foda-se quem não faz o bem e não sabe ser feliz.

* “Li que o lema de Hillary Clinton    é foda-se. Hoje sou como ela. Não me interessa a opinião dos outros, se gostam ou não de mim, e se fazem fofocas; aprendi a ligar o botão do foda-se. Passei a dizer não e a minha vida ficou mais leve” – depoimento de uma professora de 65 anos – (excerto do livro “A bela velhice – Mirian Goldenberg. Editora Record – 1ª edição – página 77.
O poeta Paulo Ferreira da Rocha Filho inspirou-se no depoimento da professora de 65 anos e fez a belíssima poesia “Foda-se”.

**Idade: Cronológica,
                Emocional
                Psicológica etc.




sexta-feira, 6 de maio de 2016

Semana de 6 a 13 de maio de 2016

 Matemática e seus encantos
Paulo Ferreira da Rocha Filho
                      I
Ciência tida como complexa
Deixa muita gente perplexa
É essa tal Matemática
Para poucos, ciência muito simpática
                        II
Matemática é formada por um tripé
Mas só aprende mesmo quem quer:
Aritmética, Álgebra e Geometria
Vamos expô-las em fatias
                        III
Aritmética trata de operação em operação
Adição, Subtração, Multiplicação e Divisão
Álgebra trabalha com variáveis. X é a mais conhecida
Y, Z e outras, também muito se requisita
                         IV
Geometria estuda o espaço, figuras regulares e irregulares
E vai-se estudando simplesmente outras formas singulares
Cultura herdada dos árabes, hindus, egípcios e fenícios
O Mundo sem Matemática nada seria – ela é nosso epinício
                            V
Ela está presente em tudo o que vemos
Até no que   está embutido
No tudo que temos
Do que foi, é, e será e, do que quase teria sido
                             VI
Ela traduz em quilo o alimento que pesamos
Em metros quadrados a casa que moramos
Em Km3 a quantidade de água na Terra
O raio do Sol que inaugura o dia; e o da Lua que o encerra
                            VII
Calculamos a probabilidade dos anos a viver
No mundo tudo se entrelaça - tudo a ver
Medimos a velocidade que sopra o vento
Com números, o homem inventou o relógio que mede o inexorável tempo
                             VIII
Se o mundo para uns é uma bola fechada
Para outros, aberta, decifrável, violada
A Matemática pode bem ser a chave
A Linguagem que o desnuda, que fecha e que abre.
                                -x-


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Semana de 29 de abril a 6 de maio de 2016


Uma sociedade sem tempo para viver

Paulo Ferreira

“Para que tanta pressa e tanto receio? O futuro sempre nos chega a uma velocidade de 60 minutos por hora” – Albert Einstein (1879-1955) cientista alemão.

U
m dia é assim: papai, venha brincar comigo...
- Não tenho tempo, meu filho. Não está vendo que seu pai está ocupado?
Um outro dia também é assim: mamãe, venha brincar comigo...
- Não tenho tempo, meu filho. Não vendo que sua mãe está ocupada?
Todo dia se faz tudo sempre igual. Estamos vivendo, correndo como loucos para fazer tudo no menor lapso de tempo: trabalhamos o mais que podemos. As poucas horas que nos sobram, procuramos fazer atividades das mais diversas. Vivemos em um mundo cheio de neuroses porque a competição que estamos submetidos nos impôs que um procure ser melhor que o outro. É a era da pressa, da velocidade. Estatísticas mostram que o volume de informações digitais disponível dobra a cada dois anos. É muita informação para ser trabalhada, processada e, analisada criticamente. É uma corrida sem fim. Fala-se que 24 horas no dia é pouco.... Estamos nos robotizando e perdendo nossa sensibilidade para quase tudo. Muitas pessoas não querem esperar por nada. As buzinadas impertinentes que rasgam o ar e fere nossos ouvidos no trânsito caótico é a “sinfonia” que mais ouvimos. E por falar em música, dizem até que qualquer barulho, ruído pode ser enquadrado como tal. Da mulher que sobe no ônibus com uma criança no colo, ao mesmo tempo com uma sacola e, tenta com dificuldade passar pela catraca. Mas o ônibus está em movimento – o motorista que nada disso acompanha, vê mas não enxerga que aquela mulher e criança podem se acidentar gravemente e até morrer. Ele engata uma primeira marcha e segue sua jornada nesse trabalho embrutecido repetido anos e anos. O filho e a mulher não são dele. Ele nem espera que a mulher se acomode com a criança numa cadeira – afinal, capital é mais importante que gente. Até mesmo considerando que a depender da situação, falta o primeiro e sobra o segundo.
          Falta-nos tempo porque não sabemos administrá-lo. O filósofo alemão Robert Kurz lança a pergunta: “por que depois que inventaram as máquinas as pessoas têm de trabalhar mais que antes da existência delas? ” Tivemos um avanço na mecanização e na computação. Só que esse avanço não refletiu na qualidade de vida do trabalhador, e sim, do lucro. A palavra de ordem é produtividade – consegui-la a qualquer custo é o objetivo a ser atingido porque “os fins justificam os meios”. E nessa corrida desenfreada para o nada, o estado psicológico entra em pane e gera tecnostress segundo o psicólogo norte-americano Larry Rosen. E a falta de tempo para os filhos, o lazer, as visitas a familiares e amigos etc? E aquela conversa tantas vezes repetidas de nossos pais e avós, sempre ecoando nas paredes das casas?
          Estamos vivendo a Modernidade Líquída – de acordo com o pensador polonês Zygmunt Bauman. Tudo acontece e desaparece rápido como cogumelos. Tudo faz e refaz, e nesse vai-e-vem, as amizades também. A cada dia vamos nos transformando em mercadoria. Valendo pouco, coisa de um mundo neurótico, frio e muito louco.

          

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Semana de 22 a 29 de abril de 2016

Shopping Center - o outro lado da geração de emprego
Paulo Ferreira da Rocha Filho

A imponência da edificação,
O luxo, a iluminação, a ostentação
Assim se apresentam esses templos do consumo
É uma longa história, mas fazemos o resumo
A cultura dos Shopping Centers começou nos anos 1950
Hoje, barrar essa invasão, ninguém aguenta
Para quem vê tanta beleza e elegância junta
Nem imagina quanta coisa se separa, se disjunta
Certo, gera emprego
Mas é como um filme terror, dá medo
Para cada emprego no Shopping gerado
Três na periferia são aniquilados
As luzes dos Shopping atraem as pessoas
como mariposas
Tipo armadilhas para pegar raposa
E dessa forma isolada
Até nossa mente fica confinada
Perdemos nosso senso crítico
Seduzidos pelas luzes filtradas no acrílico
Mais luzes, mais cegueira
A realidade se esgueira
Nem avaliamos na concentração da riqueza
na mão de pouca gente
Em troca de tantas outras descontentes
Nos tempos da quitanda do seu João
O capital tinha menor concentração
Era melhor distribuído
O sistema tinha mais juízo
O social não tinha prejuízo
E agora, o que então se faz
Se a urbanidade se foi, jaz.
                  -x-






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Semana de 15 a 22 de abril de 2016

A estagiária, o instrutor e o professor
Paulo Ferreira da Rocha Filho

                                     
                                           I
Injustiças de gerenciamento também ocorrem em grandes empresas
Tem os privilegiados protegidos e, os desprotegidos tratados com frieza
Completa esse cenário uma indisfarçável manipulação na distribuição das tarefas
Dessa maneira tudo se desacerta

                                          II
O instrutor delega trabalhos mais importantes para os seus
E os menos importantes para os outros que ficam no breu
Uma estagiária é vítima dessa funesta metodologia
Baseada em qual Psicologia?

                                          III
Do primeiro homem até hoje, o conhecimento é repassado
É um fato que deve ser considerado
Não fosse assim, ainda estaríamos no Paleolítico
O conhecimento não se desenvolveria – seria raquítico

                                          IV
Instrutor e professor são ofícios aparentados, mas distintos
Instrutor se preocupa com o dever findo
Professor se preocupa com o aprender do aluno e seu trabalho
Tipo ferreiro e seu malho

                                         V
Como dizia Paulo Freire
Deve-se ensinar com o coração
Que professor com aluno se emparceire
Trazendo para o problema a solução

                                         VI 
Ah! Instrutor se eu pudesse dizer na sua cara
Ou colocar minhas palavras na boca dessa menina:
“Você é um frio Manual de Instrução que fala
E não um amoroso professor que ensina”.
                                   


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Semana de 8 a 15 de abril

10 de abril - dia da Engenharia
Paulo Ferreira
“Quem não sabe o que vai fazer da vida, faz Engenharia” Bagatelli – professor universitário da UDC.


A
 engenharia moveu a humanidade. Não fosse ela, estaríamos ainda morando nas cavernas com uma reduzida expectativa de vida e engatinhando na ciência.
          Transformadora da natureza, fomentadora de trabalho e riqueza, a Engenharia quer queira ou não, faz parte inseparável de nossas vidas. Ela está lá na produção de alimentos, nos aviões que rasgam o ar, nas visitas ao fundo do mar, no uso dos óculos que vemos, e em tudo que escolhemos, está lá a engenharia. Até com poesia em concreto. Manoel Henrique Botelho escreveu o clássico: Concreto armado, eu te amo. Isso mesmo, se amamos o abstrato, por que não amamos o concreto? Está respondida a pergunta. A engenharia é onipresente. Quando estamos doentes e vamos aos hospitais, do piso ao teto; máquinas e equipamentos sofisticados que ajudam e leem para enfermeiros e médicos o que precisa ser feito. O que vemos foram frutos de projetos de engenheiros. Engenheiros projetam tudo. A Matemática é uma linguagem originalmente fria mais pode ser transformada em poesia. Com boa vontade e imaginação pode até sair uma poesia concreta.
          Existe um item da engenharia bastante relegado e bastante requisitado, por sinal muito requisitado – O vaso sanitário. Muito esquecido, mas na hora do aperto ele salva a situação. O vaso sanitário é uma invenção da engenharia que muito atuou ao lado da medicina. Não fosse ele, poluição, contaminação da água, alimentos, doenças corriqueiras e até de efeitos pandêmicos já teriam arrasado boa parte da humanidade.
          E a engenharia, dessa forma bem entendida e bem traduzida por Bagatelli quando se refere que a Engenharia abre campos para muitas outras atividades.

          E bem entendido, engenheiro é um metido.