sábado, 6 de janeiro de 2018

Semana de 15 a 22 de dezembro de 2017

Moralidade hipócrita eufemística

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil).

                               I
Ai, ai meu Deus
O Que foi que aconteceu
A nova moralidade brasileira
Está “politizada” – uma asneira
                              II
O que vale agora é o eufemismo
Tratar com “polidez” – e eu com isso?
Bandido juvenil  - é menor em situação de risco
Chamá-lo de ladrão é passado – não me arrisco
                             III
E como está tudo educado
Vamos dar um tratamento letrado
Bandido adulto e político ladrão
Não vão andar de camburão, só de avião
                             IV
Também ninguém vai dizer que foi assaltado
No máximo, que pegaram seus pertences emprestados
Ladrão passa ser cobrador de imposto de plantão
Apenas um cavalheiro que precisou nos passar a mão
                                V
Se um honesto reagir e matá-lo num assalto
Foi Acidente do Trabalho – isto eu ressalto
Roubar é trabalho e pode ser insalubre, perigoso
Porque o honesto nesta conjuntura é ameaça, é danoso
                              VI
Nós honestos e pobres somos uns maricas
Bandidos e políticos ladrões são classe rica
Cresceu a bolha de levar vantagem em tudo
Para vencer na vida às favas os estudos
                              VII
Ladrão vai ser amparado por leis trabalhistas
Ter aposentadoria – que a Previdência os assista
E vai piorar. Não foi porque você quis, eu quis
Mas foi este o futuro que alcançou este país.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Semana de 8 a 15 de dezembro de 2017

Homenagem ao boi desconhecido

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil).

                          I
Nem sei se faz algum sentido
Mas se presta homenagem ao soldado desconhecido
Nas guerras, soldado não vai para brincar
Não tem outra solução: ele vai para matar
                         II
E sem deixar para depois
Comparemos soldado e boi
Colocando na ordem devida
Soldado mata; boi mantém a vida
                       III
Hoje em dia
Tem muito avanço da tecnologia
Mas na alimentação
Avançamos não, meu irmão
                         IV
Ainda insistimos em comer carne
Mudança que se um dia ocorrer, vai ser tarde
Pobre gado bovino
Morrer como alimento é seu destino
                       V
Certa vez, fiscalizando um matadouro
Um boi como tendo mal agouro
Olhou para mim pressentindo a falta de sorte
Como se tivesse certeza de sua iminente morte
                        VI
Tamanha pena, tamanho estresse
À sua espera o impiedoso magarefe
Frio assassino do gado bovino
Age roboticamente: não fica nem um pouco mufino
                       VII
Há os que matam; os que comem consentem
Isso há milênios – não foi diferente
Humano foi projetado para consumir alimento vegetal
A começar pela arquitetura bucal
                       VIII
Carnívoros são animais de intestino curto
Humanos têm intestino longo – eu quase surto
Com tanta matança para servir de alimentação
É muito crime sem julgamento – é só absolvição
                       IX
Se hoje até corruptos recebem homenagem
Homenagear o boi é coisa séria – não é bobagem
E assim posto, acabando essa bandalha
Homenageemos o boi desconhecido. Ele também merece uma medalha.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Poesias, poetas e críticos literários

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil).

                  I
Pode dizer e escrever na certa
Poesia é a linguagem do poeta
Signos, sentimentos, palavras
Vão tecendo sua escrita, sua lavra
                 II
Nos primórdios, poesia era predominantemente usual
Diluiu-se no tempo, é menos recorrente no mundo atual
Poucas pessoas fazem uso dessa estrutura de mensagem
É como se ela, moribunda estivesse só de passagem
                 III
Poetas muitas vezes não se fazem nas escolas
Poeta cria e recria a realidade – sonhos afloram
Poeta é um nu vestido de palavras de inspiração
Com suas obras marcadas profundamente pela emoção
                   IV
Um mesmo assunto pode ser escrito de maneiras várias
Recurso tautológico de se compor uma obra literária
Atendendo aos críticos da universal literatura
Um pensamento aqui, outro ali, vai se construindo, fluindo a tessitura
                V
É seguir ditames de críticos literários
E agir como um bom e fiel escriturário
Em Umberto Eco palavras dispostas num intrincado jogo
São friamente analisadas num apuro de um experiente pedagogo
              VI
Poesia precisa falar de dor, de amor, do sensual
Em Sartre, se preciso nunca esquecer o social
Roland Barthes grande crítico evoca fruição
Para expressar tanto o simples como a erudição
            VII
Com Pound é preciso saber usar a palavra significativa
Para o texto se fazer pulsar, ganhar sopro, ganhar vida
E se o crítico literário prof. Acácio Scos der seu aval
A poesia resiste, não morrerá. Seguirá eternamente seu curso natural.
                          -x-






sábado, 25 de novembro de 2017

Semana de 24 de novembro a 1° de dezembro de 2017

Fenômenos fenomenais

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                                 I
Merece um 10 quem pintou o azul do ceu
Confesso: para Ele tiro meu chapeu
E colou nuvens como se fossem chumaços de algodão
Para da Terra enchermos nossa visão
                                 II
Usou quilômetros de fios para interligar Sol, Lua e Estrelas
Para convencer incrédulos, dar-lhes umas trelas
De onde irradia tanta energia que nos alumia
Senão do Sol – Astro Rei que nos manda todo dia
                                 III
De que boca sopra o vento que a tudo areja?
E movimenta de folhas a navios onde quer que estejam
? Serão chuvas lágrimas de um ceu choroso
Que depois traz fartura para um tempo amistoso?
                                IV
E o tempo que não teve tempo de ter tempo
Medido pelo homem, pode parecer lento, apressado
Entre um tempo e outro pode acontecer um contratempo
Deixando o humano perdido, sem norte, desolado
                                V
E tem os oceanos – muita água, muita proteína
Alimentando adultos, meninos e meninas
E ainda serve de estradas para navios
Somando a beleza que tanto aprecio
                             VI
Ceu, nuvens, estrelas vento, tempo, chuvas, Sol, Oceanos e Lua,
Se combinam na Terra – em equilíbrio atuam
Por isso não devemos nos preocupar se o Sol é fixo ou se a Lua caia
A Terra vive em harmonia – traduz o pensamento em Gaia
                           VII
Está tudo bem distribuído, bem arrumado
Assinado e Carimbado pelo nosso Criador amado
Citamos elementos diferentes e que ninguém distorça
Mas todos formam o uno com suas belezas e forças.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Semana de 17 a 24 de novembro de 2017

A William Waack

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                        I
Voltamos aos tempos medievais
Esse politicamente correto está demais
Estão transformando pulga em elefante
De um comentário jocoso pegaram um bom falante
                       II
Parodiando o pensador Foucault*
Até estarrecido estou:
A hipocrisia está em todo lugar
E vem de todo lugar
                     III
Quase tudo agora dá um processo
Estamos “evoluindo” para o retrocesso
Insulto é a programação alienada
Que não edifica a população em nada 
                     IV
Quando entope a televisão de futebol e novela
É muita alienação. Não é isso que se espera
De uma televisão que deveria levar Educação
No Brasil não é distração, é imbecilização
                        V
Pegaram um vídeo ainda do ano passado
O jornalista em trabalho e um motorista destrambelhado
Passa perto bem alto buzinando
O profissional se irrita e, brincando
                        VI
Diz que esse barulho “é coisa de preto”
Só isso – perdeu-se nesse verseto
A nova moralidade brasileira
Caiu-lhe pesada como uma betoneira
                      VII
Nem todos engoliram essa punição
A censura que vinha de fora, hoje brota da comunicação
Pegaram impiedosamente William Waack
Mas Waack tem sua claque
                      VIII
Esse tribunal de exceção
Pode levar Waack a depressão
Seu afastamento do Jornal da Globo foi desproporcional
Porque deram à garoa um tratamento torrencial.

*“O poder está em todo lugar
  e vem de todo lugar”.
 (Michel Foucault – 1926-1984).

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Semana de 10 a 17 de novembro de 2017

Cadeira vazia

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 
               I
Ah! Fiz tanta aposta
A mesa posta
A louça inglesa
Esperando na mesa
              II
Eu, levitando de contente
No fogão, a comida ainda quente
O trabalho a atrasou
O jantar algo o abortou
              III
O telefone tocou – era Maria*
Dizia que vir não poderia
O jantar para dois
Ficou para depois.


*Nome fictício.

sábado, 4 de novembro de 2017


Semana de 3 a 10 de novembro de 2017

D. Maninha

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                  I
Na calçada lá de casa
Ela passa todo dia
Com ar de vida cansada
Vivendo sua melancolia
                 II
Sempre usando velhas roupas
Surradas da vida amarga
D. Maninha(*) se esforça feito louca
O que era tudo, hoje é nada
                 III
De casa para o mercadinho
Do mercadinho para casa
Trilhando o mesmo caminho
Dos outros e de si isolada
                      IV
Seus passos leves, vagarosos, cadenciados
No lúgubre descompasso de seu coração
A vida transformou-a num ser coisificado
Poucos direitos; muita obrigação
                     V
Seu marido nas horas vadias
Dá expediente numa mesa de bar
Solitária, sem companhia
Vive sob os escombros do que foi Lar Doce Lar
                      VI
Ela tem um olhar triste, profundo e aflito
E tanto amor para dar que dentro de si não cabe
Em sua cabeça nenhum conflito
Há muito já morreu e não sabe.
                       
* Somente o nome é fictício
                    -x-