sexta-feira, 6 de outubro de 2023

 Semana de 6 a 13 de outubro de 2023

 Poeta

Paulo Ferreira

cinco vezes classificado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil;
1° Lugar em Concurso Literário Amaletras. 

 

Das frágeis bodegas aos poderosos supermercados

                   - O que mudou no contexto Econômico/Social -

Poeta

Paulo Ferreira da Rocha Filho                                  

                               I

Maceió, no bairro que morei, Bebedouro – imorredouro

Recordações inesquecíveis de um inestimável tesouro

Tinha uma tradicional e diversificada geração de renda

Pequeno comércio de bodegas conhecidas como vendas

                               II

Um velho, surrado e até mofado balcão de madeira

Deixava tudo nessa ordem, nessa rotineira maneira

Quem chegava para comprar, apenas dizia o que queria

O dono pegava o produto, pesava, embrulhava e vendia

                                III

Sr. Jacinto era um desses tantos comerciantes

Um tipo sério como eu nunca tinha visto antes

Uns estranhos óculos de grau, diferentes, sem parelha

Usava como suporte para seu lápis a própria orelha

                                 IV

As padarias do Dr. Jackson, do seu Vasconcelos

Competiam entre si, na paz - sem nenhum duelo

As bodegas do Sr. Climério, a do Sr. Machadinho

Também na concorrência – ninguém atuava sozinho

                                V

Para comprar carne com osso ou sem osso

Era tudo sem problema – sem nenhum enrosco

Esteticamente as condições eram muito precárias

Bem distante das reais RDC - Normas Sanitárias

                               VI 

Era um açougue único, muito bom – enfim

Cujo proprietário era o temido sr. Joaquim

Existia à distância, a venda do Sr. José Aciolly

Bonzinho, mas do tipo - com ele ninguém bole

                                VII

Esses comerciantes tinham importância social

Ninguém era pobre; também ninguém era o tal

Sustentavam suas famílias, cada um com sua lida

Para a Economia, ótimo – renda bem distribuída

                                VIII

Hoje, o quadro é desolador – profundamente triste

Esse importante comércio, sugado, não mais existe

Lucro nessa e outras regiões era bem planificado

Fazia o país crescer equitativamente e organizado

                                IX

Tudo muito, muito mudou – mudou todo cenário

Findou-se um legado, deixando um farto obituário

O lucro social/monetário se foi, está concentrado

A fórceps, migrou para os caixas dos supermercados

                                 X

Concentração de renda é ruim em qualquer sociedade

Gera um abismo social miséria/riqueza uma atrocidade

Até parece que quem cria as leis isso nunca antes viu

Mas revela o país injusto simplesmente chamado Brasil.

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