quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 Semana de 1º a 8 de janeiro de 2021

 

Poeta

Paulo Ferreira da Rocha Filho

cinco vezes classificado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil;
1° Lugar em Concurso Literário Amaletras. 

 

Uma casa soturna

Poeta

Paulo Ferreira da Rocha Filho.

                          I

Era uma casa muito triste, bem pequena

Morar ali não era normal, não valia a pena

Um desequilíbrio total nas energias

Se iniciava logo cedo ao raiar do dia                                

                        II

A provedora dona da casa era desequilibrada

De humor instável, como se vivesse chapada

Um dia cravou um garfo na cabeça de um menino

É Para se ter vaga ideia de seu extremo desatino

                       III

Essa velha tomou para si cinco crianças

Tutorando-as em profunda e má ordenança

A criança mais frágil, mais calada foi por ela eleita

Para ser o poço de seus ataques com suas desfeitas

                       IV

Sobravam insultos ao bom velhinho – seu marido

Vivia ele em seu mundo fechado – homem querido

O ambiente era uma colmeia muito enxameável

Muito hostil, lúgubre, pesadamente desagradável

                       V

Havia uma mordaça, ninguém falava o que queria

Alegria não entrava, naquela casa ninguém ria

Cada um se supria a seu modo, lavava sua roupa

Cada um por si e distantes, tinha muita coisa louca

                     VI

A idosa, como toda abelha rainha foi envelhecendo

As crianças por sua vez, foram se desenvolvendo

Anos e anos foram se passando e a anciã morria

Todos podiam melhor respirar, a esperança nascia

                      VII

O tempo passou. Aquela casa não mais existe

Somente uma pesada lembrança ainda persiste

A casa foi abandonada, foi causa de muita insônia

Nunca mais será erguida, a exemplo da Babilônia.

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