sexta-feira, 16 de agosto de 2019


Semana de 16 a 23 de agosto de 2019 

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(cinco vezes classificado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 


Prisão – a liberdade da professora Laura
(Paulo Ferreira da Rocha Filho)

Caso vá ler esta poesia com o celular, use o aparelho na posição horizontal.
                         I
Todo dia ela fazia tudo sempre igual
Três filhos e 12 anos de vida conjugal
Morando bem, atuando em 2 empregos
Cansada da vida, insatisfeita, certo medo
                         II
Levava e trazia os filhos à escola
Surtou: em mim essa vida não cola
Determinada, quebrou suas algemas
E rompeu seu angustiante dilema
                         III
Entrou numa loja, furtou um urso de pelúcia
Em um plano elaborado com muita astúcia
Sob o olhar muito atento de um vigilante
Foi pega e presa como perigosa meliante
                         IV
Já na prisão e depois de toda revista
Concedeu uma catártica entrevista
Desabafou, falou de todo seu intento
Ela tinha tudo; mas lhe faltava tempo
                         V
Mulher-robô queria ser mulher-humana
Por isso mesmo, revoltada "rodou a baiana"
Na prisão, “nova casa” que ela escolhera
Surgiu nova vida que mesma se propusera
                         VI
Agora já podia saborear livros e discos
Grande Sertão Veredas, Crime e Castigo
O marido muito aflito constituiu advogado
Não aguentou o tranco se sentido desolado
                         VII
Assim, Laura Dias da Silva, professora
Dona de si tornou-se a própria curadora
A vida social, normativa, era seu martírio
Daí seu “confortável” e voluntário exílio
                         VIII
? Foi uma atitude intempestiva ou exótica?
Puro existencialismo – uma linha filosófica
Sua liberdade estava em sua casa não
Laura só encontrou a liberdade na prisão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário