segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Semana de 29 de dezembro de 2016 a 6 de janeiro de 2017

         Fala-se em crise e até que estamos vivendo a maior recessão da história do país. Mas crise tem um componente humano de má gestão da coisa pública. O serviço público passa por um processo de carnavalização. Serviço público no Brasil é precário, deficitário, caro e com uma avenida sem fiscalização convidativa para a corrupção. Quase tudo pode. Principalmente com o loteamento de poder com os chamados Cargos de Confiança – CC. Os concursados habilitados pela competência são os “Cargos de Desconfiança” – CD. Não existe cobrança de resultados, projetos são poucos os que funcionam e até com cumprimento de prazo. Sem generalizar mas tem muita gente incompetente  sendo chefe não tendo a mínima condição nem para ser dublê. No cinema dublê sabe fazer.
          Há uma falta de consideração ao contribuinte que paga caro para manter essa máquina colossal e oca em seu efeito.
          Pelo menos, político deveria ter duas qualidades para desempenhar sua função:
          a) Competência e
          b) Honestidade.
Pingos de Filosofia faz uma justa referência a um humano digno. Competente e que batalhou honestamente a vida inteira. Uma mulher guerreira, determinada e que moveu montanhas para seguir a vida – D. Eucleta. Vocês não vão encontrá-la em nenhuma enciclopédia nem outra fonte. D. Eucleta é personalidade exclusiva de Pingos de Filosofia. É aqui retratada por méritos – um exemplo de vida, inclusive para todas as pessoas e principalmente políticos:

D. Eucleta
Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho

                       I
Seguramente, a vida de D. Eucleta
Se não foi triste, também não foi uma festa
Ainda jovem morreu-lhe o marido
Sabemos da agrura de perder um ente querido
                       II
Sozinha, dois filhos para criar e educar
Mais que nunca, precisava continuar a trabalhar
Seus rebentos – Maria do Socorro e José Neto
Canalizou esforços para garantir aos dois, futuro certo
                       III
Investir-se ao mesmo tempo de mãe e pai
Não é fácil, tem de ser muito capaz
Ainda mais manter filho em Curso de Agronomia
Apesar de Faculdade Federal, mais despesa viria
                       IV
Cinco anos na Faculdade – José Neto impedido de trabalhar
O curso em horário integral e disperso – difícil encarar
E para continuar tecendo este mesmo assunto
Fui testemunha desse evento – estudamos juntos
                       V
Condições parecidas – dinheiro pequeno; grande era a esperança
Acreditávamos em coisas que os olhos não viam, mas que só a mente alcança
A parte prática do curso era em Viçosa – lá no interior
Passagem de ônibus cara – carona pegávamos – não tínhamos pai doutor
                       VI
Foi duro para D. Eucleta enfrentar os leões na arena da vida
Mulher guerreira, de coragem, não se dobrou – sempre aguerrida
Amanuense da Gráfica Oficial do Estado de Alagoas – um exemplo
Passados alguns anos – mergulhado no passado – eu a contemplo
                       VII
Agora os papeis na família estão trocados
Se antes ela cuidava deles, hoje dela estão ocupados
Socorro - filha amorosa, José Neto – filho amoroso
Essência e marca indelével da família Fragozo
                        VIII
D. Eucleta hoje também vive ao sabor da aposentadoria
Seu mundo ficou menor – mais caseira em seu dia a dia
O relógio de sua vida não marca mais os segundos – somente horas
A pressa, companheira de outrora, foi embora. O tempo se revela em cada aurora
                          IX
D. Eucleta prometeu-me preparar um camarão bem servido
Vou dar uma de glutão, muito, mas muito metido
Se promessa cria expectativa porque palavra é trato
Não hesitarei – pantagruelicamente comerei até limpar o prato
                         X
Para desfrutar dessa ambrosia terei de ir a Maceió
Estou com água na boca – é tudo um pensamento só
De pensar, quase me contento
Tudo é uma questão de tempo
                       XI
A existência no planeta de D. Eucleta por si só justificaria
Somem-se a isso seus filhos – estrelas luzidias
D. Eucleta – mulher de muita garra – briosa
D. Eucleta – mulher insubstituível, divina, maravilhosa.