sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Semana de 9 a 16 de dezembro de 2016 

Súplica nordestina
(sobre o Rio São Francisco)

Poeta Paulo Ferreira da Rocha Filho

                 I
Nordeste seco, estorricado
Paisagem tétrica, mundo desolado
O outrora caudaloso e piscoso São Francisco
Pode num futuro mapa ser apenas um risco
                 II
Sertanejos como também os agrestinos
Têm dúvidas sobre seus destinos
A água que representa a vida
Seca nos açudes deixando todos à deriva
                 III
O rio sofre com poluição
Incrível, mesmo tendo a população muita informação
Homem branco faz do rio seu esgoto
Diferente do índio que o tratava com gosto
                 IV
O Nordeste está em processo de desertificação
Principalmente ação antrópica – é a razão
É preocupação desde a época da Coroa
Nada melhora, tudo só destoa
                  V
Em meados do século passado uma voz ecológica clamava
De um profissional de mente iluminada
Quem estuda Ecologia dele se lembra com carinho
Do professor João Vasconcelos Sobrinho
                  V I
Engenheiro Agrônomo ambientalista
Neste país, dos melhores faz parte de uma lista
Autor de mais de 20 trabalhos sobre Ecologia
Numa época que essa ciência dela pouco se ouvia
                   VII
Desmitificando a sofrida realidade nordestina
A ciência com todo seu aparato nos ensina
Dizer que o principal problema é falta de água – é enrolação
Entre tantos outros, há o latifúndio com atraso e dominação
                   VIII
Corroboro o que digo apoiado na Climatologia
Fortes são os argumentos de grande valia
Medidas em milímetros, chovem 300 em Israel
150 no Texas o que não é nenhum novel
                     IX
No Nordeste chovem razoáveis seiscentos
O Nordeste é viável – é assunto que não invento
Por que então o Nordeste é mais pobre que Texas e Israel?
Em termos comparativos, essa região é quase um céu
                     X
Ainda existe uma “indústria da seca”
Desde os tempos de antanho – que ninguém esqueça
Precisa ser criada uma política desenvolvimentista
Reeducando e politizando o nordestino para que ele resista
                      XI
Muitas empresas por falta d’água estão fechando
E o poder público nem pra isso está ligando
Passa o tempo e não saímos desse abecedário
Há probabilidade de o Velho Chico ser rio temporário
                       XII
Muito desmatamento faz o leito muito assoreado
Pasmem. Ninguém é responsabilizado
Rio – “estrada que anda” deslizando com facilidade
Virou passado, resta pouco de navegabilidade
                        XIII
Ausência de vegetação ciliar em longos trechos
Destruíram do rio seu protetor adereço
Ver tamanha destruição talvez ele não mais resista
O Velho Chico grita, chora. Ninguém ouve – dói na vista
                        XIV
Para Euclides da Cunha o sertanejo é antes de tudo um forte
Precisamos de infraestrutura, Educação - um Norte
Transposição - é preciso cautela – o rio pode se esgotar
Ele seca porque rio não é mar.