segunda-feira, 14 de agosto de 2017


Semana de 14 a 21 de julho de 2017

                    O piano velho

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil).

Era um piano antigo, surrado, melancolicamente esquecido
Pouco usado, o som mavioso deixou para trás, desaparecido
Ficou à toa, de lado, dissonante
Já não tocava mais como antes
Então, depois de longo período, restou por fim
Nas teclas o amarelo do tempo no velho marfim.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

                             
Semana de 7 a 14 de julho de 2017

                    O beijo

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                                 I
Beijo pode ser manifestação de carinho, sedução
De alegria, cordialidade, agradecimento e até traição
Beijo no cotidiano, beijo perdido, aquele que nos envolve
Beijo esquecido que a felicidade nos lembra e nos devolve
                                 II
Nas Artes há muitos registros inolvidáveis
De beijos na linha do tempo notáveis
É tanto, tento beijo que não sei mais lá o quê
Na pintura de Canona quando Eros desperta Psiquê
                                 III
Magritte pintou beijo em “Os amantes”
Como ninguém se houvera beijar antes
E um beijo para cada um se animar
É “Beijo roubado” de Jean Fragonard
                                IV
Em “O aniversário” de Chagal amantes flutuam
Em outras Artes outros beijos também atuam
Trabalhos de ontem rasgam o hoje e alcançam o amanhã
É a famosa escultura “O beijo” de Auguste Rodin
                               V
Nas fotos da 2ª Guerra como numa emoção primeira
Soldado na Times Square tasca beijo numa enfermeira
Na música “Quero beijar-te as mãos” o beijo cavalheiresco por Faissal e Carvalho
“Besame Mucho” de Velásques é sucesso mundial sem atalho
                           VI
Na música “Pai e mãe” – o beijo assexuado e universal do Gil
O poeta em inspiração estava a mais de mil
E de beijo em beijo, o beijo se eterniza aqui e em qualquer lugar
E você já encontrou alguém em que possa beijar?

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Semana de 30 de junho a 7 de julho de 2017

Redação é o bicho papão

Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                               I
Há quem diga que Matemática é bicho papão
Ledo engano – pensar assim é estar na contra mão
Matemática é difícil mas muita gente a domina
Mas quando o assunto é Redação, muita gente abomina
                              II
Pingos de Filosofia é nutrido por este escriba
Uma forte gripe me nocauteou. Fiquei na pindaíba
Convidei algumas pessoas para escrever, colaborar
Difícil. Ninguém se prontificou essa ideia encampar
                             III
Tem pessoas que falam de tudo ou quase tudo
Leem bastante a cada instante, e tem muito estudo
Quando chega a hora de escrever, é um vamos ver
É como estar vendo um gigante esmorecer
                             IV
Isso explica muito bem o porquê de atuar sozinho
E por ser prática que gosto, escolhi este caminho 
E como se eu tivesse assumido um compromisso com meus leitores
Estarei escrevendo sobre prazeres, dores e amores.

sábado, 15 de julho de 2017

Semana de 23 a 30 de junho de 2017

Sobrevivência no Brasil
Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 
                                I
A luta pela vida está cada vez mais beligerante
As armas não são mais como aquelas de antes
É muita diversidade: de fuzil a laser a gás paralisante
Saio para a arena como um Quixote claudicante
                               II
Preparando minha armadura, escudo e espada 
É um vale tudo, é um vale nada
E nisso tudo  sou apenas um grão
Para enfrentar o terrível dragão.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

 Semana de 16 a 23 de junho de 2017


Brasil violento
Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Três vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                 I
Quando o país é violento
O elo social é líquido, nojento
Aqui não se mata bicho de comer na rua
Mas se mata gente debaixo do Sol e da Lua
                 II
A bandidagem já demarcou o pátrio território
Temos  presente de terror e futuro inglório
Brasil, terra sem dono; Brasil, terra sem lei
Viver é questão de sorte. Quem será o morto da próxima vez?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Semana de 9 a 16 de junho de 2017

15 de maio – Dia Mundial da Conscientização

Contra o Abuso aos Idosos
Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Duas vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 


                   I
Se viver já é estar no lucro
No Brasil esse período pode ser curto
Mata-se mais que em muitas guerras
Aqui, maior índice de assassínios da Terra
                   II
Quem com muito sacrifício chega aos sessenta
Enfrenta muitas dificuldades, muita coisa aguenta
O país que é complacente com poderosos
É o mesmo tempo algoz com os idosos
                   III
Quem trabalha e muito se esforça a vida inteira
Merece uma velhice equilibradamente financeira
Idosos quase sempre estão doentes e sem remédio
É quadro favorável para depressão e tédio
                   IV
Em muitos casos em função do grande desemprego
Filhos e netos vão morar com o idoso na busca de arrego
Isso quando não o arrancam da própria casa
Como um furacão que a tudo arrasa
                       V
Criaram o paliativo de ônibus com gratuidade
Que incide sobre o valor das passagens tipo solidariedade
É falácia “passagem grátis para o ancião”
Porque o custo é repassado para a população
                       VI
Com heroica teimosia, o salário da aposentadoria
Não supre o básico para as necessidades do dia a dia
Sobrevivendo e até lutando contra a própria sorte
Têm hospitais que os tratam com “fila da morte”
                      VII
E nessa constante, penosa e longa peleja
Impossível ter alguém que isso não veja
Os idosos infelizmente têm esse funesto perfil
Pois é assim que ele eles são tratados no Brasil.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Semana de 2 a 9 de junho de 2017


Nem às paredes confesso
Poeta
Paulo Ferreira da Rocha Filho
(Duas vezes aprovado em Concurso Nacional Novos Poetas do Brasil). 

                   I
Tenho uma mulher na quimera
Ela sabe, não considera
?Amor proibido faz sentido?
?Amar requer formal juízo?
                  II
Paixão é uma carruagem desgovernada
Perdida numa desconhecida estrada
E se falta juízo, sou esse louco
Que construiu o próprio calabouço
                  III
Pudera! Não se trata de uma mulher qualquer
Fui invadido pela tormenta de ter essa mulher
E assim tão sozinho e tão a esmo
Navego nesse mar prisioneiro de mim mesmo.